Ele apostou 50 centimos com um amigo da escola em como o Sporting ia ganhar ao Benfica. Mas não tem dinheiro. E quem paga sou eu. Eu...
obriga-me a vibrar pelo Benfica em silêncio. Cinicamente. Benfiiicaaaaaaaaaaa.!!!!!!!!
Entretanto, enquanto se discute a viabilidade do país, do governo e da democracia, há por aí alguém que possa mandar cancelar os novos anuncios aos presevativos? Ou podiam dar um jeitinho e não passar aquilo à hora das refeições? Se faz favor? Era bom.
Eu sei que há assuntos mais importantes do que este, mas é que ainda nem consegui explicar muito bem aos meus filhos a história do casamento e já estou a ser pressionada para esclarecer o assunto do presevativo nas relações homossexuais.
Importam-se de ir com mais calma? Obrigada.
Enquanto dissertava sobre o Cristianismo, o meu filho interrompe-me e diz: "O Cristiano Ronado já foi do Sporting!"
A vantagem do fim-de-semana é que o país descansa da sua alegre correria em direcção ao precipício. Amanhã retomaremos o ritmo.
Super quê? Supermulher é quem se levanta às seis da manhã, viaja de comboio, autocarro ou metro para chegar a um emprego miserável, de caminho ainda deixa os filhos na escola ou infantário, que fica atrás do sol posto e onde eles ficam durante 12 horas, recebe o ordenado mínimo, vive em sítios que o GPS não reconhece, cozinha, limpa a casa, vai às compras, engoma. E sabe que amanhã vai ser igual a hoje. Ou pior.
Digo eu que não faço a mínima ideia o que isto é.
Oiço o Sporting a jogar: está um silêncio sepulcral na sala.
- Então a escola correu bem?
- O Francisco deu um pontapé ao Xavier no futebol, mesmo na canela. Tipo, com toda a força e o Xavier ficou a chorar, mesmo ali no chão. Mas o Francisco disse que nem lhe tinha tocado. Repare ele disse que nem lhe tinha tocado! Mas eu, o Gonçalo, o outro Manel e o Helder do 4º B fomos dizer à Dona Domingas que o Xavier estava a chorar. O Francisco disse que nem lhe tinha tocado. Tipo, mentiu, mesmo. Depois almocei uma coisa que já não me lembro e comi pudim e a professora teve a ensinar as medições. Correu bem.
Os meus filhos querem ter páginas no Facebook. Deve ser porque ainda não sabem quem é o Paulo Querido. Só pode.
Bullying: um chat na net para denunciar a violência na escola.
Crianças ricas. São 5,7 centímetros mais altas.
- Só quando o pai morrer é que a mãe é chefe?
- De quê?
- Da casa.
- Mas o pai não é chefe da casa.
- É, é, todos os pais são.
- Não é, não!
- Está bem, se a mãe não acredita paciência.
O computador a que está ligada a impressora tem o teclado estragado - perdeu os sentidos, ou qualquer coisa do género -, resolvemos, por isso, escrever o texto no portátil. Mas o portátil não está ligado à impressora. Por isso optou-se por enviar o texto por e-mail para o outro computador onde está a impressora - já que não precisamos de teclado para o imprimir. Não deu: esse computador está desconfigurado - alguém andou lá a mexer - logo, não tem internet. Tentámos então fazer o transbordo do texto com uma pen. Gravámos o texto na pen e iniciámos o processo. Só que a pen estava estragada; parece que foi a lavar com uma calças.
Já eram dez e meia da noite.
Por isso, não há trabalho. Quer dizer, há, mas não dá para imprimir.
Como é que se explica isto tudo à professora no caderno do aluno sem parecer, vá lá, treta?
O carácter é a maior parte da inteligência; o resto é preserverança.
- Se a mãe não tinha computador quando era pequena, como é que jogava aos jogos de computador e de play station? Pedia aos amigos era?
- Não, não havia computadores como há agora, nem a play station... em lado nenhum.
- A sério?
- Sim.
- Tchiiiiiiiii!
- Olha, olha, a formiga já tem catarro...
- Onde, mãe, onde?
Desconfio que há por aí muitos bebés que gostariam de converter os duzentos euros em cerveja e outras susbtâncias para comemorarem os seus 18 anos. Pode ser?
Posso ter bebés a crédito?
Já se sabe qual é o banco que os vai receber?
- Merda!
- A mãe não pode dizer palavrões como merda e essas coisas!
- Essa é boa ...
- Só quando nós já estivermos educados, está bem.
- Ó mãe, o que é uma calhandrice?
Existe uma espécie de ditadura ambiental infantil entranhada na nossa sociedade, em todas as escolas e em cada família. É um fenómeno que tem vindo a alastrar e a consolidar, que faz com que nós - os pais que crescemos numa época em que se podia fumar sem se ser preso - vivamos numa ordem ambientalista, em que os nossos filhos são uma espécie de bufos naturalistas.
Parece que hoje em dia as crianças nascem com um chip integrado que as formata em ambientalistas radicalmente chatos. São elas contra nós, os adultos poluidores. Soubessem os meninos tanto de matemática ou de gramática como sabem de reciclagem das tampas das garrafas de água e Portugal estaria em primeiro lugar nos rankings da OCDE. Mas não é o caso. (...)
- Tenho uma dúvida em matemática.
- Qual?
- Como é que eu passo exercícios a mim próprio para poder estudar?
Quatro miúdas, no 11º ou 12º, numa tarde de sol debaixo da minha varanda ( vivo em frente a um liceu), sentadas no mesmo muro em que eu me costumava sentar. Há 30 anos.
Falaram e riram durante uma hora. Ao vivo, sem sms nem telemóveis. Falaram umas com as outras. E de que falaram elas?
De rapazes. O cerne da discussão foi um moço, ex-namorado de uma delas e candidato a namorado de outra. Que não é comunicativo, que é frio, que "só se abre quando se embebeda" ( o que percebi ocorrer regularmente, mas inexplicavelmente, parece que não conta). As miúdas discutiram alegremente a forma de trazer o rapaz para a luz, tanto quanto prepararam ( três delas) a possível ( a quarta) futura namorada do rapaz para a vida. Pelo meio, atiraram farpas a uma amiga ausente que será algo relapsa nos níveis de exigência para com o sexo oposto.
Nunca ouvi semelhante conferência de Casablanca com rapazes. Juntam-se com os garruços enfiados, murmuram umas coisas inaudíveis, sempre agarrados ao telemóvel, e despedem-se com grunhidos.
Nada mudou.
E a mim também. Depois explico.
- Mãe, hoje o meu amigo Rui foi muito atrevido.
- Porquê?
- Lá na escola mandou uma mensagem a uma menina que nem sequer conhecia.
- Mensagem como?
- Um e-mail.
- Mas como?
- Pelo magalhães.
- Mas ele tem internet no magalhães?
- Ó mãe, só eu é que não tenho....
- E que menina era essa?
- Era uma senhora, quero dizer, não era uma menina da minha idade. Ela estava a tirar as calças na fotografia e tinha as maminhas à mostra. Mas ele nem sequer a conhecia: é mesmo atrevido. Escreveu: "és uma brasa, brasa a ferver".
- E ninguém viu?
- Não. Ele no outro dia também já ficou de castigo porque escreveu no google "gajas nuas" e a professora descobriu.
- Mãe, sabe o que eu estou a fazer?
- Não. O que é?
- Se estivesse em casa sabia.
- Hoje aprendi uma coisa muito, muito importante!
- O quê?
- A salvar o mundo.
- Boa. E como é que é?
- Não posso deitar lixo para rua, gastar muita água, deitar comida fora, arrancar árvores e matar animais.
- Então como é que comemos carne e peixe se ninguém matar os animais?
- Pois... Já sei: esperamos que eles morram ou então eles matam-se uns aos outros e nós vamos lá buscá-los.
- Mãe, quem é que manda mais, o presidente ou o tribunal?
Dá para marcarem os jogos de futebol mais cedo ao Domingo? É que os meus filhos ficam sempre indecisos entre ver o Marcelo ou a bola.
(Estou a brincar, estou a brincar, eles não ficam nada).
Duvido que exista no mundo inteiro um especialista em economia e finanças que consiga explicar a uma criança a utilidade, o conceito ou a definição do dinheiro. Na prática, deve ser mais fácil o António Perez Metelo passar pelo buraco de uma agulha que conseguir fazer com que um bando de crianças perceba a génese do dinheiro.
Elas pura e simplesmente não entendem.
Não percebem que uma mão cheia de moedas de 5 cêntimos pode valer muito menos que uma nota e ficam desconfiadíssimas das intenções de alguém que tente convencê-las a trocar várias moedas por uma só para lhes aliviar os bolsos ou o mealheiro. No verdadeiro sentido da palavra. Nem vale a pena tentar. (...)
- Ó mãe, quantos filhos é que eu vou ter?
- A mãe quer mesmo ir trabalhar ou gostava mais de ficar em casa com os filhos?
Não seria mais urgente equipar as escolas com computadores, em vez dos alunos?
- Quando eu fôr grande posso aparecer na televisão?
- Acho que sim. Mas porquê?
- Quero ir a um concurso com a Diana Chaves e atirar-me para a piscina vestido.
- Se eu não dormir morro?
O meu filho chegou a casa com o olho negro.
Diz-se que hoje em dia se tratam as crianças como reizinhos, que a sociedade gira em volta delas e que são elas o centro das famílias e os senhores das escolas. Diz-se que os meninos do nosso século tudo querem, podem e mandam, e que cá estamos nós, os crescidos, para as servirmos. Diz-se que esta é uma das características da sociedade dos tempos modernos: o humanismo infantil.
Diz-se isto tudo e até parece que é verdade: mas não é. Este diz-se é apenas isso mesmo: um diz-se sem qualquer fundamento. Um mito rural e urbano, uma mentira. (...)
- A mãe tem uma coroa?
- Não, porquê?
- Porque a mãe é uma rainha.
- Que querida...
- É que para eu ser princesa preciso que a minha mãe seja rainha.
- A mãe tem dentes de leite?
- Não.
- Quer dizer que a mãe já não vai ter mais dentes novos?
- Pois...
- Nem um?
- Porquê?
- Só para saber... Coitada.