Custa um euro cada um e está lá tudo: do 1º ao 4 ano. Não falta nadinha.
- Mãe, se a mãe não tivesse nascido eu tinha nascido noutro lado qualquer, não era? O que muda são as mães, o resto é igual: os filhos existem sempre, não é?
- Mãe, o que é que é a Jugoslávia?
- Não posso levantar a mesa porque isso é coisa de mulheres.
- E o que é que são coisas de homem?
- Trabalhar, ver televisão, conversar com os homens, tomar conta das mulheres, gastar dinheiro, ganhar dinheiro, rir, andar de mota, tomar conta dos filhos e fazer outras coisas de homem que seja preciso força.
- Aquela senhora que perdeu as eleições foi para casa dela?
- Ninguém abre a boca até acabarem a sopa.
- Mas eu não consigo comer a sopa de boca fechada.
Sem a televisão eu não tinha sossego. Essa é que é essa: a televisão prende os meus filhos ao sofá, deixa-os hipnotizados, calados, sentados e deixa-me a casa silenciosa, arrumada e calma. E tudo isto à distância de um botão, de um clique, de um comando. É mágico. Ainda por cima não tem horários: são 24 horas de programação infantil e pelo menos quatro canais à escolha. E um deles até se chama Disney. Um luxo; um luxo para os pais e para os filhos.
"Vai ver televisão" soa ao "vai brincar para a rua" de há 15 anos. Faz sentido: desde o momento em que a rua é as escadas do prédio ou uma selva de predadores de crianças, o melhor mesmo é o Panda.
Além disso, qualquer criança que se interesse por qualquer dos canais temáticos sobre história, ciência ou natureza tem mais cultura que os dois pais juntos.
(...)
-Já sei o que quero no Natal.
- O quê?
- Todos os brinquedos do supermercado. Todos, todos, todos.
Hoje perguntaram-me se todas as conversas e perguntas que aqui publico são verdadeiras. Claro que são.
As que não forem eu aviso - são as piorzinhas.
- Ó mãe, o pai já pode ter filhos?
- Ó mãe, se o pai fosse homossexual, a mãe era um homem?
Pois, Armando Vara não consegue, nem com corrector ortográfico.
Na carta em que pede a suspensão do seu mandato, o Dr. Vara escreve em português técnico:
"Suspenção e não renuncia, porque tal poderia ser entendida como assumpção de culpa".
Posto isto, acho que qualquer um dos meus filhos está mais do que habilitado para substituir o Dr. Vara na CGD. O pior é que nenhum deles quer ir para a Independente, apesar de eu já lhes ter explicado que se continuarem com esta teimosia não chegam a parte nenhuma.
As regras de educação, de ensino ou de crescimento estão todas empoleiradas neste novo conceito, sejam elas castigos, incentivos, brincadeiras, avaliações ou desportos. Qualquer pessoa ou coisa que ameace a auto-estima de uma criança ou possa fragilizá-la é louca ou maléfica. Não há dúvidas.
Pois eu gosto imenso deste exagero, deste novo conceito, desta versão infantil palmoliviana, "se você não gosta de si quem gostará?"
Quem conseguir escrever uma composição de 35 linhas sem erros ortográficos levante o braço.
(Sem corrector ortgráfico, à mão e com uma bic)
Há alguma criança que já tenha sido vacinada contra a Gripe A, ou é preciso ser crescido e funcionário de um partido qualquer para ter essa sorte?
Crónica de sábado no i.
Não percebo: se há pessoas que não têm comida porque é que nós não lhes damos?
Os meus filhos foram hoje mascarados para escola de administradores da CGD - iam com a face oculta.
Conta certa lenda, que estavam duas crianças a patinar num lago congelado.
Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas.
De repente, o gelo partiu-se e uma delas caiu, ficou presa na fenda que se formou.
A outra criança vendo seu amiguinho preso, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim, quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:
- Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, ainda por cima tão pequeno e com mãos tão frágeis!
Nesse instante, um ancião que passava pelo local, comentou:
- Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
- Como?
- É simples: - respondeu o velho.
- Não havia ninguém ao seu redor para lhe dizer que não seria capaz.
- Porque esse choro todo? Vale a pena?
- Vale: assim a mãe dá-me beijinhos e pega-me ao colo.
Cada dia que passa torna-se mais perigoso os meus filhos ficarem comigo ao fim do dia. Sozinhos.
Já estou a ver. "Ela bem que escreveu que estava pelos cabelos, ela avisou, coitada...Realmente não se aguenta dar banho aqueles miúdos todos os dias, aturar as birras, ajudar nos trabalhos de casa, dar o jantar... Mas ninguém ligou nenhuma ... Coitada"
- Já sei do que me vou mascarar no Dia das Bruxas.
- De quê?
- De teste de matemática: é a coisa mais aterradora que existe.
- Ela está sempre a fazer birras. Eu aho que a mãe devia levá-la ao médico das birras.
- Mãe, para ter filhos vou ter de fazer sexo com a minha mulher?
(...) Este segundo trabalho dos pais tem de ser feito às escondidas. Ou seja, os filhos não podem perceber que os pais não percebem nada do aparelho digestivo e que é a primeira vez que ouvem falar das funções sintácticas dos elementos da oração.
O desafio, portanto, é aprender e explicar ao mesmo tempo, em estilo de tradução simultânea.
E um erro pode ser fatal: "Se o pai não sabe porque é que eu tenho de saber? Não quero saber onde se forma a urina, quero ser actor dos 'Morangos com Açúcar'." (...)
(no I)
- Porque é que há um tempo para se fazer os testes?
- Porque quem sabe as respostas, consegue fazer o teste nesse tempo.
- Eu sei, mas gosto de fazer as coisas com calma.
- Ó mãe, paga-se para ter marido?
- Quando for grande vou ser dono de uma bomba de gasolina e vou pôr gasolina nos carros das pessoas. E vai ser de graça: assim toda a gente vem à minha bomba de gasolina.
- E como é que arranja a gasolina para dar às pessoas?
- O pai compra e dá-me.
- Não posso corrigir os trabalhos de casa em casa.
- Quem disse?
- A professora.
- Mas estão errados: é só apagar algumas contas e fazer outra vez.
- Não posso. Já está e pronto. Tenho de ser honesto.
- Já sei: o Pai Natal é o avô do Jesus por parte da mãe e o São Nicolau é o outro avô, do lado do pai do Jesus.
- Mãe, sabia que há meninos que não têm pais?
- Sabia.
- Coitados. Os pais demoram tanto tempo a chegar a casa que eles até se esquecem.
- Pois...
- É como a menina do Mamma Mia: ela também não sabia quem era o pai. A mãe dela já não se lembrava.
.- Pois era...
- A mãe lembra-se do pai porque o pai vive cá em casa, não é?
- Está chover?
- Sim.
- Então não posso ir à escola.
- Porquê?
- Porque está a chover.
- Mas não faz mal.
- Faz, faz, eu hoje não posso sair de casa. Não posso: fico molhada e eu não gosto de ficar molhada. Vou voltar para a cama. Até já.
Entre as explicações dos procedimentos a adoptar quando há suspeitas de gripe A, da metodologia inerente à quantidade de comida que os pais devem pôr nos termos dos filhos e das duas visitas de estudo do ano, não sobra tempo para explicar mais nada - quanto mais para divagar sobre criatividade, incentivos ou disciplina. Ou seja, raramente há ambiente para discutir educação em reuniões de pais.
- Este livro é para arrumar.
- Não posso: Eu sou pequenina, percebe?!
O que nos diz o ranking das escolas? Onde estudam os bons alunos e a capacidade crescente dos privados em correr com os maus alunos. Nada mais.
Os rankings seriam úteis se mostrassem o grau de sucesso escolar, as taxas de abandono, a média das notas, etc. E separando sempre as escolas privadas das públicas. Enquanto os pais não puderem escolher as escolas onde inscrevem os filhos, estes rankings são estúpidos, não servem para nada e não dizem nada. Nadinha.
- Um rapaz lá da escola disse-me que a irmã dele gosta de mim. Eu não sei quem ela é, mas ele disse que ela é da minha sala.
- Ganda sorte! Eu não tenho nenhuma rapariga que goste de mim.
- Sabes lá: elas são umas fingidas. Se calhar todas as raparigas da tua escola gostam de ti e fingem que não gostam.
- Porquê?
- Porque são raparigas.
Obrigado a todos!
Um blog a seguir.
As crianças não têm passado nem futuro, elas vivem exclusivamente para o presente. Por isso não sabem esperar e por isso dormem tão profundamente: dormem de contas feitas com o dia-a-dia.