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Filhos da sorte

por Inês Teotónio Pereira, em 22.07.14

O meu artigo de sábado do i 

 

Esta semana o Observador fez uma reportagem com o título "A coragem de ter muitos filhos". Entrevistou três famílias com mais de quatro filhos, vasculhou nos hábitos, nas rotinas e nas opções dos pais e fotografou as crianças para a posteridade. Estas reportagens são recorrentes e aparecem ao mesmo ritmo que os inquéritos sobre a literatura que os famosos levam para as férias.

Os leitores são curiosos e, como dizia Eça de Queiroz, qual é o interesse do pôr do Sol no Monte Everest em comparação com o drama da família do 3.o esquerdo? Nenhum. Nada de novo, portanto, e a crise da natalidade é um bom mote para este tipo de reportagens. O leitor quer saber o porquê de tantos filhos, quais as dificuldades, quais as motivações que levam a tanta reprodução, como se organiza o dia-a-dia dos pais e dos filhos e ler um ou outro testemunho de felicidade. E o leitor nunca é surpreendido: em nenhuma destas reportagens os pais estão arrependidos do tamanho da prole, não querem doar nenhum dos filhos, e há quase sempre uma motivação divina por detrás da reprodução. A felicidade, essa, irradia através das fotografias. Quem não tem muitos filhos rói as unhas de desalento ao ler estas prosas e estes testemunhos de felicidade, da mesma forma que os menos endinheirados se torcem de inveja quando as revistas revelam a vida dos ricos, o tamanho das mansões em que habitam e a cilindrada dos carros que conduzem. Nestas reportagens, filhos ou carros cumprem a mesma função.

O objectivo destas prosas é apresentar aos leitores exemplos de sucesso e modelos familiares: a mensagem pouco subliminar é mostrar que quanto mais filhos melhor, pois as dificuldades adjacentes superam-se. E não, os testemunhos não são de famílias que vivem num 3.o esquerdo de um bairro social, essas entram no capítulo das reportagens sobre a crise social e cultural. Estas famílias corajosas que dão mote às inúmeras reportagens sobre a crise da natalidade são bonitas, letradas e só passam por bairros sociais.

O Observador, dando como exemplo estas famílias, destacou ainda assim a coragem de ter muitos filhos. Em oposição, temos então os medricas que têm poucos filhos e percebemos com a ajuda deste adjectivo que a questão da natalidade afinal é uma questão de bravura. Exibe-se assim o triunfo dos pais rodeados de crianças como se estas fossem troféus da batalha da vida. Seguindo esta lógica, observamos através do Observador que os bravos somos nós, pais de uma prole imensa, que vivemos num eterno desassossego e no incómodo drama de saber como transportar todos os filhos no mesmo carro, como organizar os banhos no final do dia e como conciliar tudo isto com as reuniões fora de horas e com alguma vida social. Do outro lado está o resto o mundo, composto pelos pais de coragem mediana que da batalha da vida só conseguiram gerar um casal de filhos ou três exemplos de crias motivados pela busca da menina que faltava.

Só que a realidade não é esta. Ter muitos filhos é uma opção. Apenas isso. E quando essa opção pode ser concretizada quer dizer que os pais tiveram sorte e não coragem. Há quem queira ter muitos filhos e não possa por variadíssimas razões e há mesmo quem não queira encher a casa de crianças e não é por isso menos corajoso que um pai de meia dúzia. Quem quer e pode ter muitos filhos não é corajoso, é sortudo. Os exemplos de heróis são outros. São os pais que se levantam às seis da manhã para acudir a dois empregos, que têm filhos com problemas sérios, que transportam as crianças em transportes públicos, que não têm como pagar os ATL nas férias e que conseguem ser felizes apesar das dificuldades que não conseguem superar. O país está cheio de heróis destes, com muitos e poucos filhos; já as reportagens sobre famílias numerosas estão cheias de famílias sortudas. Tudo o resto, a felicidade que emanam umas e outras famílias, é pura especulação

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publicado às 19:10

A crise das bruxas e dos maus

por Inês Teotónio Pereira, em 15.07.14

o meu artigo de sábado no i 

 

A versão clássica dos maus da fita está em crise: já não existem maus, nem nas fitas nem em lado nenhum. Se alguém pega numa arma e assassina dezenas de pessoas numa universidade ou se um grupo de terroristas aniquila dezenas de civis, a tendência é justificar os crimes com o contexto. Porque a culpa, em primeira instância, nunca é dos autores. A culpa é quase sempre da sociedade, da globalização, dos capitalistas, do contexto familiar, dos filmes violentos, da pobreza, da liberalização da venda de armas, da religião, etc. O que prevalece nesta teoria é que as pessoas, de um modo geral, são estúpidas, coitadas, e a moral que têm ou não têm depende exclusivamente do contexto. Os maus são vítimas e, na verdade, somos todos bons selvagens, incluindo os terroristas, os assassinos, etc. Os maus são os contextos, e não os criminosos.

Esta febre de fazer tábua rasa do bem e do mal, dos maus e dos bons, à boa maneira dos filmes de cowboys e do super-homem, chegou aos contos infantis. E não, não se inventaram novos contos infantis, adulteraram-se os clássicos. Pegou-se no trabalho genial dos irmãos Grimm, de Andersen e de muitos outros que se esfalfaram a trabalhar e mudaram-se as histórias para as adaptar aos conceitos modernos e, por isso, correctos.

As histórias que foram escritas com o objectivo de traçar uma linha bem definida entre o bem e o mal, de ajudar a criar uma consciência moral, de despertar a sensibilidade das crianças, que conseguem ser mais cruéis do que qualquer bruxa má, de nos fazer chorar e de educar o nosso sentido de justiça, são hoje histórias sem heróis, sem moral e sem interesse. Hoje parte-se do princípio que as crianças, primeiro, são parvas e, segundo, que nascem sensíveis, com as doses certas de moral e com um sentimento de justiça muito apurado. Mas não é verdade, elas não nascem assim, e os clássicos infantis são obras-primas que nos ajudaram a todos a desenvolver tudo isto.

No novo filme da Disney da Bela Adormecida, a questão central é perceber porque é que a bruxa é má. E descobre-se que, afinal, a bruxa não é má: mau era o rei que lhe cortou as asas e ela, coitada, não teve alternativa senão lançar um cruel feitiço sobre a princesa para salvar o reino (enfim, é complicado...). Nesta história não há realmente maus, há contexto. E a moral da história é que tudo depende do contexto.

Também o clássico João e Maria que se conta hoje às crianças é outra história completamente diferente daquela que foi escrita. Afinal, os meninos perderam-se na floresta e não foi a madrasta e o pai que os abandonaram reiteradamente porque não tinham dinheiro para os sustentar. Nada disso. Afinal, foi por acaso que os meninos foram parar a casa da bruxa - perderam-se - e a bruxa também não caiu para dentro do forno empurrada pela heroína Maria, mas apenas ficou sem a vassoura. Aqui nem sequer há moral da história, há apenas aventura.

O que hoje se tenta passar às crianças é que o mal não existe, que os maus são bons e que qualquer coisa que mostre ou revele crueldade incita à violência. Com isto matam-se heróis e trituram- -se modelos de justiça, moral e coragem.

Até que as crianças crescem e, quando todos esperávamos que, com esta nova cultura infantil, todas elas se tornassem miniaturas da madre Teresa de Calcutá e que as guerras desaparecessem da fase da terra, eis que elas se tornaram uma geração que se está nas tintas para tudo isso. Aprenderam que há uma justificação plausível para tudo e principalmente para a maldade, por isso não há lados. A eterna luta do bem contra o mal e do final feliz é qualquer coisa que não lhes assiste. Os heróis, esses, são os futebolistas e a Miley Cyrus.

E o mais caricato de tudo isto é que os jogos de consola mais vendidos são os mais violentos, em que o protagonista principal é mesmo mau. Um mau eficaz, com estilo e impiedoso. Mas não faz mal, dizem, porque é tudo fantasia. O que faz mal é cantar aos nossos filhos o "Atirei o pau ao gato", não vão eles, quando crescerem, adoptar como desporto nacional atirar paus aos gatos.

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publicado às 18:12

Escola exclusiva

por Inês Teotónio Pereira, em 08.07.14

o meu artigo no i de sábado 

 

 

No final da década de 70, um estudo sobre o sistema educativo publicado em Inglaterra concluía que, "ao longo da escolaridade básica, uma em cada cinco crianças apresentará, em algum momento, necessidades educativas que implicam a adequação do processo de ensino e aprendizagem". Ora, tendo eu seis filhos e tendo em conta esta média, a probabilidade de um deles apresentar as referidas necessidades educativas era grande. E assim foi: um deles tem dislexia grave. Com ele entrei no mundo das necessidades educativas especiais e da escola inclusiva. Passámos por tudo: diagnósticos, relatórios, consultas várias, avaliações, plano educativo individual, ensino especial, etc. Uma viagem acima de tudo técnica, com linguagem própria, cheia de obstáculos, angústias, siglas e muito, muito difusa. No mundo da educação especial as definições são abrangentes, pouco consensuais e o universo é amplo: vai da deficiência às dificuldades de aprendizagem; vai das necessidades educativas que têm origem na deficiência a um simples problema fonológico. Em Portugal existem 62 100 famílias que, tal como a minha, viajam por este mundo. Uma viagem alucinante e quase sempre solitária.

Em Portugal existe o princípio da escola inclusiva, segundo o qual todos, independentemente de dificuldades ou deficiências, têm o seu lugar na escola. O princípio está correcto e é unanimemente aceite, mas será que na prática a escola portuguesa é mesmo inclusiva? Ainda não. Na educação especial cada caso é um caso único, que precisa de respostas rápidas, intervenções eficazes e objectivos consistentes. É verdade que todos os alunos têm acesso à escola, mas não é verdade que todos estejam incluídos, ou seja, que as suas necessidades tenham resposta e que façam um percurso evolutivo dentro da escola pública. Muitos ficam pelo caminho, pois a escola não os integra verdadeiramente. A verdade é que os meios que muitas escolas disponibilizam não são suficientes, e na educação especial quem tem dinheiro tem meio caminho andado. Também é real o fatalismo com que se tende a marcar o destino destas crianças, ou porque são apenas rotulados de maus alunos ou porque se considera estupidamente que não serão adultos produtivos.

E quais são as principais lacunas deste sistema chamado inclusivo? Começam logo por aquilo a que tecnicamente se chama de enquadramento. Se a criança tem uma deficiência ou uma dificuldade permanente, tem direito a ser enquadrada na chamada escola inclusiva e o privilégio de ter acesso aos planos de intervenção e aos meios que existem. Mas se o seu problema for temporário e "curável", só a sensibilidade do professor, a insistência dos pais, o dinheiro ou a sorte a conseguem enquadrar. Se nenhuma destas variáveis existir, as necessidades temporárias podem tornar-se permanentes, o insucesso escolar inevitável e o abandono escolar um sério risco. Nesta fronteira estão milhares de famílias. Famílias em que os filhos apresentam dificuldades de aprendizagem mas não têm dinheiro para pagar uma avaliação externa e têm o azar de o professor continuar à espera do famoso clique.

Quando as necessidades são reais e diagnosticadas a tempo, diz a doutrina, a lei e o bom senso que os alunos têm direito a um percurso escolar digno, consistente e que responda às suas necessidades concretas. Mas também aqui a distância entre a teoria e a prática é grande. São muitos - demais - os alunos que frequentam a escola para cumprirem a escolaridade obrigatória e apenas para a cumprirem. O que no final dos 12 anos levam para casa é pouco, quer em termos de competências adquiridas quer em termos de autonomia. O diagnóstico da nossa escola inclusiva está feito e é mais ou menos consensual. Há umas semanas o Conselho Nacional de Educação sistematizou em pormenor o que falha e aquilo que é urgente fazer. A boa notícia é que não implica gastar mais dinheiro: apenas mais formação dos professores, uma gestão eficaz dos meios já existentes, alterações legislativas pontuais, mais e melhor coordenação entre as entidades da Saúde, da Segurança Social e da Educação e muito bom senso. Depois, sim, podemos dizer que a escola portuguesa é realmente inclusiva.

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publicado às 12:05

Educação de café

por Inês Teotónio Pereira, em 01.07.14

O meu artigo de sábado no i 

 

Um dos maiores erros que se comete quando se fala de educação é opinar também sobre pedagogia. A pedagogia, a par do futebol, é um dos temas mais apetecíveis nas conversas de café. Todos têm uma palavra a dizer sobre metas curriculares, dificuldade dos exames, métodos de aprendizagem de leitura, desenvolvimento do pensamento abstracto, exercício de memória, etc. Não interessa a formação que se tem, interessa a sensação que se tem sobre cada um destes temas. A educação, assim como o futebol, está repleta de treinadores de bancada especialistas em pedagogia. Ao contrário do que acontece, por exemplo, no sector da saúde, em que os treinadores de bancada apenas discutem a organização, o tempo de espera nas urgências e as taxas moderadoras, e não as diferentes técnicas de execução de uma cirurgia de peito aberto, na educação as opiniões sobre as técnicas dominam o debate.

Ora este fenómeno intoxica a discussão sobre o sistema educativo por duas razões. Primeiro porque nos desvia do essencial - e o essencial são os resultados, por serem o único dado objectivo. Resultados, não só da classificação final, mas também de taxas de insucesso, de progressão, de abandono, etc. E, segundo, porque empurra a solução de todos os problemas da escola e da aprendizagem para a adopção de apenas um dos diversos métodos de aprendizagem que cada português defende. Como se a solução fosse o Estado adoptar aquilo que o ministro da Educação que há em cada português defende pedagogicamente.

E a verdade é que pedagogicamente falando estou bastante confusa. Das cinco experiências educativas que tenho em casa não consigo tirar um método único que sirva para todos. Tenho de tudo para todos os gostos: tenho crianças com dificuldade de aprendizagem, necessidades educativas, pensamento abstracto apurado, memória prodigiosa e pensamento abstracto nulo, raciocínio rápido, alunos motivados e desmotivados, seguros e inseguros, preguiçosos e trabalhadores, com aptidão natural para línguas e sem aptidão natural ou adquirida para línguas, que memorizam mais do que raciocinam e que raciocinam mais do que memorizam. Os cinco ministros da Educação que existem em mim conseguem apresentar facilmente cinco métodos de aprendizagem diferentes, que vão do ensino da leitura ao raciocínio abstracto. Todos eles eficazes para cada um dos fenómenos que tenho em casa. Por isso há muito tempo concluí que pedagogicamente falando não há métodos únicos nem é aconselhável a adopção de apenas um centralmente.

As palavras-chave são três: professores, autonomia e avaliação. Professores, porque só eles sabem quais os melhores métodos a adoptar para os seus alunos, quais as estratégias mais eficazes e quais as respostas adequadas às dificuldades que eles vão apresentando. São eles os especialistas e não os políticos ou sequer os pais. Autonomia, porque só concedendo verdadeira autonomia pedagógica às escolas se consegue que o desempenho dos professores seja eficaz, libertando-os das amarras do método único que todos devem cumprir em cada ano de escolaridade independentemente do perfil dos alunos. Avaliação, porque só avaliando uniformemente as escolas e os alunos no final de cada ciclo se consegue aferir o sistema e conhecer as suas fragilidades. Os objectivos devem ser iguais para todos, ao contrário das formas para os cumprir, que podem e devem ser distintas.

O acesso de todos à educação é hoje um direito adquirido. O nosso problema é o sucesso educativo de todos. Mas para responder a esse desafio não é na opinião dos diversos ministros da Educação que encontramos a resposta: eles são apenas ministros com a missão de criarem mecanismos eficazes para que o sistema seja mais flexível, autónomo e, no final, possível de avaliar. É sim na opinião de cada professor que está a resposta ao sucesso de cada um dos nossos filhos. Do ministro esperamos que confie em quem sabe dando-lhes autonomia para cumprirem a sua missão de ensinar e facilitando o seu trabalho eliminando a burocracia da sua agenda. É disto que se deve falar quando se fala de educação. Quanto aos métodos de leitura ou à dificuldade do exame de matemática, são temas tão polémicos e pacíficos quanto os cortes de cabelo de Ronaldo - em que só o barbeiro do próprio está habilitado a responder.

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publicado às 12:11

...

por Inês Teotónio Pereira, em 26.06.14

Boa notícia:

- Os meus três filhos mais velhos vão passar quatro dias fora. 

Má notícia:

- Durante quatro dias vou ficar sem os três babysiters dos meus três filhos mais novos.  

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publicado às 11:57

Procura-se especialista

por Inês Teotónio Pereira, em 24.06.14

O meu artigo de sábado no i 

 

Existem duas entidades em quem os pais já não confiam: neles próprios e nos avós. Ao fim de séculos a confiar nestas duas instituições milenares chegou a altura de atirar a toalha ao chão e de procurar novas experiências que ajudem a educar e a criar os filhos. Nada do que valia, agora vale, é esta a infeliz certeza das novas gerações de pais. Está tudo em aberto no que diz respeito há educação ou à criação dos filhos e tudo pode ser dito e escrito porque haverá sempre interessados, likes, polémica e comentários. Está tudo em aberto: do mais importante ao mais ridículo.

Os pais acham que não sabem coisa alguma sobre a arte de educar e criar filhos. Confiam mais em qualquer livro, em qualquer especialista - seja ele pediatra, sociólogo, neuropsicólogo, ou apenas estudioso - ou em blogues, que ditam sentenças e teorias, do que neles próprios. A intuição foi de férias para parte incerta e os avós, bom, os avós são mais velhos e não estão inteirados dos tempos modernos: os tempos são outros, por isso as crianças também devem ser diferentes. Sim, é um mistério que apesar da falta de doutrina publicada e da escassez de especialistas encartados durante todos estes milénios, a humanidade tenha conseguido sobreviver.

E quais são os temas centrais que preocupam os pais e que servem de substrato para a sobrevivência de tantos especialistas? Tudo e mais um par de botas. Há umas semanas estoirou uma polémica dentro da temática pais e filhos que, tendo em conta o entusiasmo que suscitou, põe em causa a importância de assuntos como os massacres no Iraque ou o próprio joelho de Ronaldo. Um pediatra espanhol, um verdadeiro especialista em vender livros na Ibéria, deu uma entrevista ao Observador onde declara peremptoriamente que as crianças não devem ser castigadas, devem dormir na cama dos pais até à idade que entenderem, que os legumes não fazem falta nenhuma à dieta ibérica dos nossos infantes e, pasme com a grande novidade, os pais devem amar os filhos. O mundo paternal estremeceu e o debate centrado nos legumes, na cama dos pais e nos castigos tomou conta da temática pais e filhos. Ficámos, então, todos a saber que há um mundo de filosofia por detrás destes temas.

Esta semana o Observador descobriu mais um especialista espanhol, que também é campeão literário de vendas, que revela o segredo na arte de adormecer uma criança: "A ideia é deixar as crianças na sua própria cama, com a luz do quarto apagada e a porta aberta. É provável que chorem, pelo que os pais devem visitar os filhos, em intervalos de tempo progressivamente maiores, no sentido de os acalmar. A calma e a serenidade são factores importantes." O mesmo método deve ser aplicado na arte de enfiar legumes pela boca abaixo dos nossos filhos: calma e serenidade; assim como no que toca à disciplina: constância em vez de rigidez. O mundo dos pais dividiu--se entre os dois espanhóis. Está uma verdadeira revolução em curso.

O caso é sério. O facto de haver mercado para estes especialistas é um caso sério porque é a constatação de que os pais acham que não conseguem sozinhos descobrir fórmulas para adormecerem os filhos, que não sabem como fazer com que seres que têm um terço do seu tamanho comam um prato de sopa e não consideram claro como água que as crianças precisam de regras coerentes, constantes e de sanções caso haja necessidade de as forçar a respeitarem as ditas regras. Quanto à evidência de "terem de ser amadas", nem sei que diga.

O caso é sério porque revela que os pais se consideram incompetentes para responderem a estas questões e não confiam em quem os educou - nos avós - para esclarecerem as dúvidas. É sério porque parece que, afinal, a experiência e a intuição não servem para nada. Não há por aí mais um especialista que queira escrever sobre isto?

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publicado às 15:17

- Este diz melhor mal do que o outro por isso é que vai ganhar. É isso, não é? 

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publicado às 15:03

Nós e eles

por Inês Teotónio Pereira, em 17.06.14

De repente a selecção já não somos nós mas sim eles. 

 

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publicado às 17:21

Portugal - Alemanha

por Inês Teotónio Pereira, em 17.06.14

Não há nada mais eficaz que levar 4-0 para se ter a criançada em silêncio. 

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publicado às 17:13

Modern family em família

por Inês Teotónio Pereira, em 17.06.14

- Se duas senhoras se casarem podem ter filhos?

(responde a irmã de oito anos):

- Claro que não: não vês que é preciso uma ligação para ter filhos!   

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publicado às 17:08

...

por Inês Teotónio Pereira, em 17.06.14

Um dos meus filhos foi passar uns dias a casa de um amigo. Quatro dias de praia, gelados, pizas, futebol e boa vida. Oito horas depois da partida liga-me num pranto porque tem saudades da família toda e quer que o vá buscar. Não, não estou com pena dele: estou com pena de quem está a tomar conta dele. 

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publicado às 17:03

Férias colossais

por Inês Teotónio Pereira, em 17.06.14

(No i de sábado) 

 

As férias de Verão dos nossos filhos são todos os anos de pelo menos três meses. Este ano é igual (até têm mais uma semana) e começam já para a semana. Os meninos são entregues aos pais durante 13 longas semanas para descansarem, divertirem-se e descontraírem. O pior é que os pais estão a trabalhar. Não estão em casa. E é por isso que as férias, que deviam ser um período divertido, descontraído e descansado, são um autêntico pesadelo para os pais. Os pais têm de ser pais a tempo inteiro e ao mesmo tempo têm de trabalhar a esmagadora maioria do tempo. O desafio que temos já para a semana é gigante: o que fazer às nossas crianças de modo que elas não fiquem sozinhas em casa? A questão nem é entretê-los, é saber onde deixá-los e com quem durante três meses seguidos.

Quem tem meios e avós presentes e disponíveis safa-se e encontra facilmente guarida para a criançada. Mas quem não tem deixa as crianças entregues às consolas, à televisão, com o almoço dentro do microondas e o número de telefone dos pais colado no frigorífico para ligar "caso aconteça alguma coisa". Apesar do sol e dos dias longos, estas férias de Verão são três meses de stresse que fazem mais pela "desconciliação" da vida familiar com a vida profissional que uma eventual e irrealista diminuição do período de baixa de maternidade.

Nós não estamos preparados para isto. Dantes até era possível. Dantes os avós viviam ao lado, as mães estavam em casa e a população estudantil era bastante menor. Dantes não se notava a enormidade das férias grandes porque a rua, os vizinhos e o bairro eram um prolongamento da casa e da família e as crianças nunca estavam sozinhas. Era, por isso, possível que as aulas acabassem em Junho e começassem em Outubro que ninguém se queixava e as crianças agradeciam. Apesar de tradicionalmente as nossas férias grandes serem mesmo grandes, cada vez mais esta realidade é insustentável. Cada vez há mais famílias pequenas e por isso as ajudas são mais reduzidas, cada vez mais as mães têm as mesmas responsabilidades profissionais que os pais e por isso menos disponibilidade para estarem com os filhos enquanto os pais trabalham e também são cada vez mais os avós que trabalham ou vivem longe dos netos. O caso é por isso sério.

É sabido que é durante este período que se registam mais casos de negligência ou acidentes com menores. Nem podia ser de outra forma: nem todos têm dinheiro para os campos de férias que proliferam por este país fora ou para pagar a alguém que fique a tomar das crianças enquanto os pais trabalham. Quinze dias, três semanas no máximo, supera-se. Mas comportar tudo isto durante três meses seguidos só está ao alcance de um escalão muito reduzido do IRS.

Além deste problema logístico e das suas consequências muito pouco conciliadoras e seguras, há ainda o problema pedagógico. Dizem-me os professores no final de todos os anos lectivos que os meus filhos não podem parar de trabalhar, que têm de estudar nas férias ou varre-se-lhes toda a matéria e o início do ano lectivo seguinte pode ser doloroso. Compreendo. Mas trabalhar como? Com quem? Quando? É óbvio que três meses chegam e sobram para levarem os cérebros dos nossos filhos a entrar em modo de standby, só não é óbvia a solução do trabalho em tempo de férias tendo em conta que não há professores a acompanhá-los e os pais estão a trabalhar. É por isso que grande parte dos primeiros períodos de aulas são gastos na revisão das matérias do ano anterior e os alunos somam uma colecção de notas baixas. É que o cérebro, assim como a barriga, demora a voltar a estar em forma.

A solução d este grande problema das férias colossais não está na redução das férias (apesar de até se poder considerar), está sim numa maior distribuição das férias e na redução de períodos excessivamente longos de férias. Oito semanas de férias seguidas, no máximo, chegavam. Se queremos conciliar a vida familiar com a vida profissional, o melhor é começarmos por conciliar as férias escolares com a vida profissional dos pais; quando estamos todos a trabalhar a conciliação é bem mais fácil.

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publicado às 17:02

Os meus irmãos

por Inês Teotónio Pereira, em 11.06.14

o meu artigo de sábado no i 

 

 

Só se percebe verdadeiramente a importância das coisas ou das pessoas quando as perdemos. Quando as consideramos tão garantidas como o ar que respiramos, nem pensamos no seu valor. Não fazemos contas, assim como um milionário não faz contas para ir à mercearia nem sabe as oscilações do preço da bica. Com os irmãos é assim que as coisas funcionam. E é por isso que funcionam tão bem.

Nós não sabemos quanto vale um irmão. Nem pensamos nisso. Pensamos todos os dias no valor incomensurável dos filhos e dos pais, sabemos o quanto vale cada amigo, mas não contabilizamos os irmãos. É diferente com eles. É diferente porque os irmãos são de graça. Eles caem-nos ao colo sem planeamento, sem poder de escolha, sem pensarmos nisso. Também é diferente porque nós crescemos com eles e crescemos juntos em tudo. Começamos desde pequeninos a lutar, a brincar, a discutir, a partilhar a casa de banho, o quarto, as meias, os jogos, os pais e os outros irmãos. Eles crescem a meias connosco e por isso acabam por ficar mais ou menos nós.

E é por isso que os irmãos nos conhecem melhor que os nossos pais ou amigos. Conhecem-nos os tiques, as fraquezas, os gostos e as sensibilidades; sabem o que quer dizer cada expressão nossa, aquilo que nos faz chorar e os limites da nossa tolerância. Também sabem que podem ultrapassar todos esses limites porque nada acontece, porque não há divórcios de irmãos. Os irmãos não prometem amar-se na saúde e na doença até que a morte os separe. Não precisam: quer prometam quer não, quer queiram quer não, é mesmo assim que vão viver.

Em todas as outras relações é preciso tempo. É preciso guardar tempo e ter tempo para estreitar laços, criar cumplicidades, ganhar confiança ou aprofundar as relações. Mas os irmãos não precisam de tempo. Nós gostamos dos nossos irmãos o mesmo que sempre gostámos apesar do tempo. Nem mais nem menos um bocadinho que seja. Podemos passar anos sem nos falar que não é por isso que as cumplicidades, os laços, a confiança (muita ou pouca) se esvanece. Os irmãos são imunes ao tempo, à distância ou às zangas e isso torna-os à prova de tudo.

Com os irmãos, ao contrário do que acontece com todas as outras pessoas, também não precisamos de falar: basta estar. Se falarmos e rirmos uns com os outros, melhor, é uma espécie de bónus; se discutirmos, melhor ainda: quer dizer que podemos, quer dizer que somos tão irmãos que até podemos discutir violentamente e continuar a ser irmãos. Até ao fim.

Eu tenho a suprema sorte de ter oito irmãos. Ter oito irmãos quer dizer ter oito melhores amigos, quer dizer ter oito pessoas que se atiravam a um poço para me salvar (espero...) e oito pessoas a gostar incondicionalmente de mim ao mesmo tempo. Já perdi dois deles, o mais velho e o mais novo. Perdi-os numa idade em que não se perdem irmãos e eles morreram estupidamente numa idade em que não é suposto morrer. Não foi quando eles partiram que eu tive consciência do valor de cada um deles, mas foi quando eles morreram que eu percebi que esse valor é incomensurável, que quando morre um irmão morre um bocadinho de nós. Percebi que há uma parte de nós que é só deles e essa parte desaparece com eles.

Sei perfeitamente que o melhor presente que dei aos meus filhos foi cinco irmãos a cada um, mas também sei que eles ainda não fazem ideia do valor de cada irmão. Por enquanto discutem mais do que aquilo que brincam, dividem mais do que aquilo que partilham e desconfio que teriam escolhido um cão e uma viagem à Eurodisney a um bebé novo, caso eu lhes tivesse dado a escolher. Mas os silêncios entre eles são cada vez mais frequentes e os silêncios entre irmãos são tudo.

O Dia dos Irmãos, que a Associação das Família Numerosas propôs que se passe a comemorar no próximo ano, é para celebrar tudo isto e é necessário comemorar tudo isto. Não é que os irmãos precisem de um dia, porque não precisam, é apenas por o merecerem. Os meus, pelo menos, mereciam um dia para cada um.

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publicado às 09:58

Os filhos são nossos, não são de Moscovo

por Inês Teotónio Pereira, em 06.06.14

Sou contra esta lei. Não há ponta por onde se lhe pegue e se a moda pega nem imagino até onde pode ir a criatividade. A questão é esta: uma coisa são maus tratos, negligência, abuso ou violência excessiva, outra coisa é achar que as palmadas e os castigos que os pais dão aos filhos estão dentro destas categorias. Esta lei diz que sim, que é violência e violenta as relações entre pais e filhos e a liberdade dos pais em educar os filhos com regras punitivas que não são mensuráveis. Gostava de saber se dar uma palmada no rabo de um filho que bate na irmã mais nova é violência? Se apertar o braço de uma filha e puxá-la com firmeza porque ela está a espernear e não quer ir para a cama, é violência? Se castigar um filho com 14 e fechá-lo no quarto durante duas horas porque ele mentiu, insultou a professora e não cumpriu as suas obrigações, é violência? Se dar uma palmada na mão de um filho com cinco anos que atirou com o prato da sopa para cima da mãe, é violência? Também gostava de saber se um miúdo de 16 anos pode bater na avó, no pai ou na mãe ou a Lei da Palmada também considera isso violência? 

A questão das palmadas aos filhos não divide o mundo entre os que são adeptos das palmadas e os que são contra. Claro que todas as pessoas normais (para as outras já há legislação que chegue) não defendem a palmada. Nós somos é  contra a punição dos pais que recorrem à palmada e ao castigo quando acham que devem recorrer à palmada e ao castigo - muitas vezes por fraqueza nossa, outras porque é mesmo a única solução - dentro dos limites estabelecidos pela lei. 

Mas se calhar eu não percebo nada disto e a apresentadora Xuxa descobriu a pólvora que tantos pais procuravam: "A apresentadora de televisão Xuxa, que defendeu a lei e acompanhou a votação de quarta-feira, defende que as crianças devem ser educadas sem violência: “As pessoas entenderam que não se trata de querer prender quem quer educar os filhos. É mostrar que se pode educar, se deve educar sem violência. Ninguém vai ser preso por dar uma palmada como se tem dito. Mas talvez um dia as pessoas acabem por entender que nem essa palmada é necessária, que se pode conversar”.

A sério?! Pode-se conversar? Obrigada Xuxa!  

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publicado às 12:36

...

por Inês Teotónio Pereira, em 06.06.14

Parece que Lisboa está assim como o meu carro. 

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publicado às 11:16

O meu novo herói

por Inês Teotónio Pereira, em 06.06.14

Quando o meu primeiro filho entrou para a creche e começou a fazer as primeiras fichas estranhei. Estranhei que uma criança com 3 ou 4 anos tivesse mais ou menos a mesma vida que uma criança de 8 ou 9. Achava, ingenuamente, que na creche eles apenas brincavam e aprendiam o que quer que fosse a brincar, a rasgar folhas, a pintar com os dedos, a fazer legos, a descobrir o que lhes apetecesse e tentar estragar tudo o que lhe aparecesse à frente. Pensava eu que no jardim de infância, tal como o nome indica, ele vai poder ser infantil à vontade e desarrumar, pular, abusar da paciência das educadoras e chegar a casa estafado. Não pensei que começasse cedo a fazer "trabalhos". Mas é mesmo assim, diziam-me os outros pais. Eles começam a cedo a preparar-se para a escola  e já têm de entrar para o primeiro ano com imensas competências ou ficam para trás. Para o bem deles, quanto mais cedo começarem, melhor será o seu futuro. Depois, descobri esta creche e os meus filhos agradecem-me todos os dias por não me ter rendido a esta teoria pedagógica. Não o fiz por opção racional, foi mera intuição. Instintivamente optei por dizer não às fichas, aos bancos alinhados e à ASAE pedagógica dos jardins de infância. Os meus filhos acabaram a fazer fichas na escola onde também aprenderam a fazer contas, gramática, etc.

É por ter tido esta experiência empirica que passei a considerar a partir de hoje meu novo herói este senhor que o Expresso fez o favor de entrevistar. 

Para quem não tem paciência para abrir o link, aqui vai um cheirinho: 

 

"Muitas das modas supostamente baseadas na ciência do cérebro, tais como o bebé Einstein e o bebé Mozart, ficaram desacreditadas desde que eu escrevi 'O Mito dos Primeiros Três Anos' em 1999. Nos Estados Unidos, uma questão política importante tem que ver com a necessidade universal do jardim infantil a partir dos quatro anos. Os defensores desta política costumam referir a neurociência e as capacidades únicas de aprendizagem que teria o cérebro infantil. Na minha opinião, não há descobertas da neurociência que justifiquem esta posição. Tudo o que sabemos, com base na evidência dos comportamentos, é que crianças oriundas de meios com desvantagens culturais podem beneficiar de uma introdução à educação formal mais cedo. Oferecer ajuda especial a essas crianças é muito diferente de oferecer uma intervenção prematura ou programas educacionais a todas as crianças. (...)"

 

"(...) Os defensores da intervenção na primeira adolescência desenvolveram narrativas muito vagamente baseadas na neurociência para a justificar.(...)"

 

"Do que podemos ter certeza absoluta, nesta área?

Podemos ter a certeza de que os pais devem garantir que os olhos e os ouvidos de uma criança funcionam normalmente. À parte isso, como um colega neurocientista me disse uma vez, 'baseado no que sabemos da neurociência, os pais não devem fechar as suas crianças em armários escuros, bater-lhes na cabeça com frigideiras ou deixá-los passar fome'. Sabemos que a privação extrema é má para as crianças. Mas não sabemos, e provavelmente não é o caso, que uma estimulação ou enriquecimento adicional e intenso tem efeitos benéficos. E a crença nos efeitos irreversíveis da primeira experiência educacional impõe um fardo injustificado aos pais. Além disso, concentrar os recursos todos nessas fases resulta numa diminuição da educação contínua e de adultos. 

 

"A chamada teoria do apego diz que os primeiros dois anos e meio de vida são cruciais para a criança estabelecer uma relação com o seu cuidador e essa relação é a base para o desenvolvimento social e emocional. Se for perturbada, pode levar a problemas mentais, psiquiátricos, problemas criminais em idades posteriores, etc. O professor Michael Rutter estudou órfãos romenos, crianças que cresceram em ambientes terríveis, sujeitas a privações extremas. O mais notável é quão resilientes elas mostram ser. Depois de adotadas, é preciso examinar com grande profundidade, utilizando medidas muito precisas de bem-estar psiquiátrico, para descobrir diferenças significativas entre elas e outras crianças adotadas no Reino Unido.(...)"

 

O que se quer dizer com isto é: relaxem e deixem as crianças serem crianças, o jardim de infância deve ser isso mesmo: um jardim.  

 

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publicado às 02:00

Bebés em restaurantes e afins

por Inês Teotónio Pereira, em 05.06.14

Cinco minutos no máximo calados e quietos que são interrompidos pelo primeiro grito e a chucha é atirada para o chão. É este o momento indicado para se trocar a chucha por uma bolacha (nunca se deve ir a um restaurante e afins com um bebé sem um pacote de bolachas). Dois minutos depois, nova bolacha. Dois minutos depois, damos novamente a chucha que poucos segundos depois é novamente atirada para o chão. Um minuto depois, damos uma colher para eles brincarem. Quando a colher é atirada para o chão, experimeta-se dar água (raramemte resulta). Experimenta-se, então, uma nova colher que nove em dez vezes é atirada automaticamente para o chão. É então a altura em que se ignoram todas as regras de higiene e afins e damos-lhes as chaves de casa e do carro para morderem e criarem defesas. Alcançam-se assim dois minutos de sossego no final dos quais somos obrigados a escolher: ou vamos embora dali ou sacrificamos o telemóvel. Cada vez gosto mais de Nexpresso. 

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publicado às 11:22

Inquietações às oito da manhã

por Inês Teotónio Pereira, em 04.06.14

- Sou eu que fico ao lado da mãe no sofá logo à noite!

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publicado às 15:49

É isto

por Inês Teotónio Pereira, em 04.06.14

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publicado às 15:44

Feminismos

por Inês Teotónio Pereira, em 04.06.14

- Ele não me deixa colar os cromos!

- Porquê? 

- Porque eu sou rapariga...

- A sério? 

- Acho que sim, mas não lhe perguntei...

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publicado às 15:23


A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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