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A um metro e sessenta do chão

por Inês Teotónio Pereira, em 28.01.10

Quatro miúdas, no 11º ou 12º, numa tarde de sol debaixo da minha varanda ( vivo em frente a um liceu), sentadas no mesmo muro em que eu me costumava sentar. Há 30 anos.
Falaram e riram durante uma hora. Ao vivo, sem sms nem telemóveis. Falaram umas com as outras. E de que falaram elas?
De rapazes. O cerne da discussão foi um moço, ex-namorado de uma delas e candidato a namorado de outra. Que não é comunicativo, que é frio, que "só se abre quando se embebeda" ( o que percebi ocorrer regularmente, mas inexplicavelmente, parece que não conta). As miúdas discutiram alegremente a forma de trazer o rapaz para a luz, tanto quanto prepararam ( três delas) a possível ( a quarta) futura namorada do rapaz para a vida. Pelo meio, atiraram farpas a uma amiga ausente que será algo relapsa nos níveis de exigência para com o sexo oposto.
Nunca ouvi semelhante conferência de Casablanca com rapazes. Juntam-se com os garruços enfiados, murmuram umas coisas inaudíveis, sempre agarrados ao telemóvel, e despedem-se com grunhidos.
Nada mudou.
 

Filipe Nunes Vicente

Mar Salgado

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publicado às 15:52



A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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