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Crise

por Inês Teotónio Pereira, em 10.05.10

No i do fim-de-semana

 

Uma criança percebe quando lhe dizemos "não há dinheiro". Por exemplo: vamos a uma loja de brinquedos, a criancinha aponta para um brinquedo e pede aos pais que o comprem . Se lhe respondermos que não temos dinheiro para o comprar, ela entende. Não refila, nem grita: "Mas eu quero, vai pedir dinheiro emprestado a alguém que eu quero aquilo! Faz-me falta e, no fundo, é um investimento no meu futuro como pessoa. Enriquece-me, crescer com isto, não vês?!" Nada disso. Também não se põe a inventar engenharias financeiras de pagamentos faseados, com ajudas dos avós, dos tios, ou dos primos e assumindo dívidas que só começa a pagar daqui a dez anos com juros flutuantes. Nem promete ao dono da loja que lhe dá todas as semanadas dos próximos 20 anos, mais as semanadas dos filhos e dos netos. Não, uma criança, vá, normal, depois de ser posta perante a evidência do "não há dinheiro", percebe que não pode comprar aquele brinquedo, porque não tem dinheiro que chegue, ponto. É simples. Por isso, foca a sua atenção na procura de um brinquedo mais barato até chegar a acordo com a pessoa que o vai comprar. Ou, desiste e vai para casa com os brinquedos que tem, poupa-os e rentabiliza-os. As crianças vivem bem com as crises. Se não têm uma espada a sério, têm um pau que faz as vezes da espada e se não têm jogos de PC, inventam jogos de papel, de mãos, de nada. Inventam e divertem-se na mesma. Dá-lhes mais trabalho? Dá. E isso é o normal. O anormal seria pedir dinheiro emprestado para comprar um comboio sem ter meios para o pagar. Mesmo a brincar.

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publicado às 16:26


1 comentário

De Carla M a 10.05.2010 às 17:46

Tal e qual! Obrigada por escrever este texto. É mesmo assim.

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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