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Ser católico

por Inês Teotónio Pereira, em 17.05.10

No i de fim-de-semana

 

Fui com os meus filhos à missa em Fátima no dia 13 de Maio. À noite, ao jantar, um deles confessou: "Ó mãe, se eu amanhã disser aos meus amigos da escola que fui à missa a Fátima, ver o Papa, e que no autocarro rezámos o terço, eles vão gozar comigo. Posso não dizer nada?"
Ah, pois é. Tramada esta, hein?
Não dizer nada para não ser gozado? Não dizer nada porque tem vergonha? Não dizer nada porque ninguém tem nada a ver com isso? Sim. É o mais lógico, o mais humano, vá. Ele é pequenino. Ainda está na escola primária, caramba. Não tem de evangelizar ninguém. Coitadinho. Ele nem tem idade para ir passear o cão sozinho quanto mais para dar o seu testemunho como católico. É só uma criança. Por outro lado, ele é católico e não deve ter vergonha de o ser. Não pode. Ou nunca terá a alegria de o ser. Além de que tem de aprender desde pequenino que ser católico é também ser um exemplo de fé. E sem medo, porque não tem mal nenhum. E ninguém deve ter vergonha de ter fé. Uma vergonha, disse-lhe eu, é ser apanhado a roubar.
Mas contar? Assim, sem mais nem menos? "E se ninguém me perguntar?", perguntou ele inquieto. Devolvi a pergunta: "Apetece contar?". "Apetece". "Então força", encorajei eu. Sem medo, como disse João Paulo II, e sem vergonha, como disse Bento XVI.
Tramado, hein? Hoje de manhã deixei-o na escola, ia de queixo levantado. Nunca irei saber se contou ou não, só se ele me disser. Até porque não tenho nada a ver com isso. A mim só me diz respeito o exemplo que lhe dou. E não ter vergonha nem medo.

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publicado às 11:38


7 comentários

De Miguel Albano a 17.05.2010 às 14:47

Inês,

confesso-te que não percebo. Não sou católico e faz-me confusão. Neste País, a regra é descriminar. Seja pela religião, pela orientação sexual, pela preferência clubística, partidária ... eventualmente até pelas preferências alimentares (atire a primeira pedra quem já não gozou com um vegetariano).

País triste, este em que vivemos.

De RMR a 17.05.2010 às 15:09

Já li óptimos comentários a propósito da vinda do Santo Padre. Nenhum melhor do que este. Muito obrigada!

De Nuno Cruz a 17.05.2010 às 22:36

"Ele nem tem idade para ir passear o cão sozinho quanto mais para dar o seu testemunho como católico. É só uma criança. Por outro lado, ele é católico e não deve ter vergonha de o ser."

Li o seu texto no sábado e de imediato pensei que espero que num futuro não muito Longínquo, ao nascer, todas as crianças estejam livres de qualquer influência de credos religiosos.
Disse e bem "é só uma criança.."
Não tem idade para ir passear o cão sozinho, não tem idade para decidir sozinho, não tem idade para reflectir sozinho, não tem idade para perceber se é hetero ou homossexual , não tem idade para pensar ou decidir se quer ser pasteleiro, agricultor ou Cientista. É uma criança. O seu Deus são os seus país, a sua igreja a sua casa, o seu altar o seu quarto, o seu santo é o seu conforto. É uma criança.. deixa-la ser....só isso...uma criança...não existem crianças católicas...existem crianças...sem etiquetas, nem carimbos. Procure deixar a sua...ser apenas isso....Criança.

De Krasnodemskyi a 21.05.2010 às 17:03

Ena! Tanta raiva! Para que?

De Isabel a 18.05.2010 às 14:38

Inês, o meu filho esteve hospitalizado e uma amiga quando o foi visitar disse-lhe "estive lá em baixo na capela a rezar por ti" e outro disse "vou a Fátima rezar por ti". São adolescentes e não são propriamente uns beatos, o meu filho andou 9 anos num colégio católico e hoje não vai á missa. Tenho para mim que educamos pelo exemplo e a tolerância e o respeito pelo outro são valores primordiais.

De Elisabete Martins a 18.05.2010 às 23:47

Mais um post inquietante. Às vezes tenho pena de viver em Portugal. Este fim-de-semana ofereci a minha casa para uma festa de 1ª Comunhão. Daqui a duas semanas é a vez do meu filho Gonçalo.
A fé é meio caminho para se sobreviver nesta selva. Veja-se o meu exemplo.
Obrigada, Inês!
Beta & Co.

De Marina a 27.05.2010 às 14:07

Lindo! Vc parece um otimo pai. Queria ter sido capaz de perguntar ao meu qdo eu era crianca "Se isso acontecer, vao rir de mim"? E ele me dar toda essa seguranca. Parabens!

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
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