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Asfixia sexual

por Inês Teotónio Pereira, em 14.06.10

No i do fim-de-semana

 

O Estado insiste em entrar por minha casa a dentro. E já nem bate à porta: tem chave. Qualquer dia instala-se, põe os pés em cima da mesa, monopoliza o comando, manda vir uma piza e dá ordens ao meu cão.
O Estado insiste em dar educação sexual aos meus filhos e encomendou o serviço a uma associação qualquer sem me perguntar se quero. Devem achar que não dou conta do recado, que não sei. Cheira- -lhes. Têm um dedinho que advinha, uma pulga atrás da orelha, foi um passarinho que lhes soprou ao ouvido. Qualquer coisa. Pergunto: porquê? Conhecem-me de algum lado? Já agora, podiam fazer uma rusga pelo país para averiguar se os meninos comem a sopa em vez de gomas, ou se lêem os livros correctos, ou se lavam os dentes e as mãos. Podiam mesmo criar o Ministério do Grande Educador. Mas o defeito deve ser meu: esta crença cega na Liberdade e na Democracia condiciona-me o raciocínio. Sendo eu uma perigosa democrata, acho que ninguém tem nada a ver com a educação sexual dos meus filhos, nem com a sua educação religiosa ou política. Muito menos o Estado, que não percebe patavina do assunto.
Uma das coisas mais irritantes da esquerda é esta mania alcoviteira de se meter na vida dos outros. Que seria apenas irritante se não houvesse poder à mistura. Mas há, o que a torna asfixiante e até perigosa. O resultado desta aventura da educação sexual é que a liberdade de escolha é só para os ricos. Os outros são obrigados a educar os filhos a meias com pessoas que não conhecem de lado nenhum. O Estado é que sabe. É a esquerda, pá.

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publicado às 00:50


10 comentários

De António Martins a 14.06.2010 às 10:36

Muitas dessas ideias nascem do escuro.
Podiam era aproveitar a falta de luz para reflectirem como é que vão tirar o País do fundo do poço, sem ser aos bochechos.
Continuam a gastar dinheiro em propaganda com alguns, sem perguntar ao todo.
É hábito do marketing vigente.

De Anónimo a 14.06.2010 às 11:02

Já não há pachorra para opiniões como esta!! IRRA !!

De libertas a 15.06.2010 às 02:20

O suspeito que faça muitos filhos e ensine-lhes o que lhe aprouver.

Em Liberdade, ninguém tem o direito de inculcar nas minhas filhas paranóias doentias.

Portugal tresanda a socialismo. Em Portugal, só quem tem dinheiro e vive em centros urbanos está a salvo das loucuras dos borucratas do ministério.

Os outros têm de se sujeitar à miséria que o ministério da educação produz. De acordo com a teoria marxista, a miséria reproduz-se e não saimos deste ciclo vicioso até à falência da nação.

Entretando, certos acéfalos vivem porreiros à custa de quem trabalha, satisfeitos com a nação condenada à miséria económica e extinção demográfica!

De 3picuinhas a 15.06.2010 às 10:56

...O PS voltou a ser de esquerda e ninguém me avisou?!... :)

De Bill a 15.06.2010 às 09:52

"É a esquerda, pá". Um pouco redundante, não? Tem jeito para caricaturas.

De Manuel C R Patrão a 15.06.2010 às 12:21


Agradeço ao FNV ter-me apontado este caminho.
Que maneira mais lúcida de dizer por mim!
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<BR>Agradeço ao FNV ter-me apontado este caminho. <BR>Que maneira mais lúcida de dizer por mim! <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Obrigado,Inês</A> . <BR><BR>Manuel

De Carla a 16.06.2010 às 15:52

Inês, isto começa a ser assustador. Eu concordo novamente consigo. Simplesmente não me parece que esta e outras políticas sejam de esquerda. Como a 3p, não me parece que o PS tenha voltado ao seu campo politico inicial.

De DC a 17.06.2010 às 17:41

Não tem nada a ver com esquerdas nem com socialismos.

Já que aceitamos a pressão formante da sociedade (escola) como preparação e ferramenta de subsistência futura (emprego), também devemos aceitá-la como um espaço de formação social para um futuro mais informado, igualitário e equilibrado.

A escola nunca substituirá o papel educativo dos pais nem os seus afectos nem os seus conselhos. Mas os pais têm de assumir que: 1 - não detêm o controlo absoluto do que os filhos aprendem e assimilam todos os dias. 2 - Não estão com os filhos tantas horas como deviam pelo que a maioria das interacções sociais e afectivas se dá na escola. 3 - Não têm a capacidade (e questiono se têm o direito) de tornar os seus filhos cópias morais suas.

Posto isto, envolvam-se com as escolas e tornem-nas centros de debate amplos e inclusivos, em vez de, por exemplo, se dedicarem ao cinismo crónico e à contínua evocação da "Liberdade" que, por estes dias, mais parece uma meretriz, sempre na boca de qualquer e pronta para qualquer combate...

De bla bla bla a 18.06.2010 às 13:32

Que conversa "da treta" . Lá vêm os "espaços amplos de debate" e mais conversa.

"Não têm a capacidade (e questiono se têm o direito) de tornar os seus filhos cópias morais suas. "
O Estado tem o direito??????? de formar cópias morais igualitárias?????????
Eu recuso ao Estado o direito de o fazer. Sem mais conversa. Sem espaço amplo de debate. Sem mais nada. Simplesmente recuso.

Que chachada de conversa. Temos que aturar isto. Não há voos para Cuba e afins.


De Wyrm a 17.06.2010 às 20:23

até a especialista em crianças se arvora em expert?

e quando a disciplina de religião e moral era obrigatória?

a autora da posta nem devia ser nascida mas aposto que aí a liberdade já não a preocupava muito...

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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