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Férias de gritos

por Inês Teotónio Pereira, em 01.08.10

Publicado no i

 

Portugal está pejado de crianças aos gritos. Nas praias, nas piscinas, nos jardins, nos centros comerciais, nos cinemas, nos restaurantes, nas geladarias, nos cafés, nos parques, nas ruas, nos museus. Por todo lado, por onde quer que se ande, esbarra-se inevitavelmente com uma criança a gritar. Nacionais ou internacionais, mais louras menos louras, berram todas. Os pais suam, suspiram, disfarçam, zangam-se e também gritam, mas não adianta. As crianças berram sem dó, sem piedade, sem amor ao próximo. Sem respeito pelo sossego. Pelo silêncio. Pelas férias.
E porque gritam os meninos?
Por tudo: porque estão com calor, porque querem colo, porque querem mais um gelado, porque não querem usar chapéu, porque querem água, porque não querem ir à praia, porque a areia está quente, porque a água está fria, porque não querem comer, porque não querem tomar banho, porque querem tomar banho, porque não querem pôr creme, porque levaram uma palmada no rabo, porque querem a mãe, porque querem o pai, porque ficaram de castigo ou porque sim.
Só há duas formas de atenuar os gritos das crianças: não gritar por cima delas e pagar-lhes aulas de canto, de colocação de voz, de forma a tornar a gritaria um exercício menos penoso; ou educá-las, com esforço, dedicação, mas sem garantia de glória. Em caso de insucesso, resta-nos evitar levá-las a locais público, uma solução segura e civilizada. A norma devia ser: criança que grita fica mais recolhida. Lá, no fundo da praia, protegida pelos pais e todos envoltos numa imensa berraria familiar

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publicado às 23:35



A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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