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Tortura é isto

por Inês Teotónio Pereira, em 01.08.10

Diz-se que no dia em que se tem o primeiro filho acaba a boa vida,  a liberdade, a irresponsabilidade, a imprevisibilidade. Passa-se a dar mais valor à segurança, à rotina, aos filhos, à casa, às obrigações e não tanto ao resto (a nós). 

Concordo mais ou menos. Mas há uma coisa terrivel de que ninguém fala quando se está prestes a ter um filho e que acaba abrupta e dramaticamente nesse dia: a sestinha no final de um dia de praia. Acabou. Já era. Não há mais.

Todos os dias, quando chego da praia, a minha cabeça tomba e o meu corpo exige descanso, adormecer uma horita antes do jantar.  Uma horita que vale todo o ouro do Salazar. Mas não pode: eu não deixo porque tenho de ir dar banho a crianças e pendurar toalhas. 

Qualquer coisa que se tenha passado em Guantanamo é tortura de meninos de coro a comparar com isto.  

 

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publicado às 23:49


2 comentários

De Francisco Tavares a 09.08.2010 às 12:03

Querida Inês
Sendo uma "Especialista de Crianças" como se diz no jornal i, eu gostava de comentar o seu artigo "Aproveitamento mínimo garantido" aparecido no dito jornal, mas não aparece no seu blog.
Só concordo consigo que "o mérito é para ser premiado". No resto discordo de si, sobretudo da sua ironia mordaz que apenas quer dizer que é privilegiada e pensa que todos devem ser tratados como se tivessem nascido em berço de ouro, quando isso não é verdade.
Assim os que nasceram em ambiente social que fornece meios adequados para que os meninos tenham pouca dificuldade na aprendizagem e os resultados são mais facilmente conseguidos, o mérito não é muito, é pouco.
Agora os meninos que vivem em ambientes sociais e familiares pobres, em riqueza material e cultural, podem, mesmo chumbando, ter mais mérito que os primeiros. Portanto, a questão do mérito é relativa, não é absoluta.
Retomando a sua comparação do último parágrafo, direi que os meninos ricos têm tortura de Guantánamo , enquanto os meninos pobres sofrem tortura de mulher grávida.
Ou para a Inês, os problemas da maior parte dos meninos do país não interessam, interessam apenas, os pequenos problemas dos meninos ricos? Assim parece!
Portanto, faz sentido, os responsáveis pela Educação deste país fornecerem os meios adequados para que os meninos pobres possam aceder à instrução e ao conhecimento com meios semelhantes aos dos meninos ricos. Os meninos ricos têm os meios em ambiente social e familiar. Os meninos pobres devem aceder a esses meios na escola pública. É difícil de entender esta questão?

De Diogo a 08.11.2010 às 21:25

xiça!!!

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
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