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Dez anos

por Inês Teotónio Pereira, em 13.09.10

(No i do fim-de-semana)

 

Há uns anos Rui Zink escreveu um texto sobre as mulheres onde diz que elas "são óptimas mães até que os filhos fazem dez anos, depois perdem o norte". É verdade. Perdem o norte, o pé, as estribeiras, a razão, a segurança e o bom-senso. Deixam de ser óptimas mães e passam à categoria de boas mães. E porquê? Porque até aos dez anos é aconselhável que as mães se metam na vida dos seus filhos. É salutar que lhes condicionem as vontades, os gostos, as amizades e tudo o que conseguirem. Sem cerimónia e sem o mínimo respeito pela privacidade. Até aos dez anos dos filhos ser mãe é ser assim - coscuvilheira, metediça, manipuladora, alcoviteira e pouco mais. Ora, faz parte da natureza de qualquer mulher delirar com esse maravilhoso conceito que é a "vida dos outros" - que é melhor ainda se for a vida dos nossos filhos. Por isso, para se ser óptima mãe nos primeiros dez anos, basta seguir os instintos e dar uma alimentação saudável.
Até que um dia os meninos querem ter a vida deles. O dia em que eles fecham a porta da casa-de-banho, exigem o mínimo de respeito e até escolher a roupa que vestem é o fim. No dia em que eles reclamam "privacidade" termina o nosso reinado e inicia uma nova era e um novo regime que contraria a nossa natureza feminina.
A partir daqui resta-nos viver na escuridão, na ignorância. Sermos mães à deriva, sem norte e sem saber ao pormenor o que se passa na vida dos nossos filhos, em cada gaveta, em cada segundo. Resta-nos confiar. Imaginem, confiar sem ver. Nós, mulheres e mães. Era o que mais faltava!

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publicado às 20:33


1 comentário

De T a 17.09.2010 às 09:47

E se as mães não confiarem?!
E se se continuarem a meter na vida dos filhos?!

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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