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Educar sem exemplo

por Inês Teotónio Pereira, em 21.10.10

A semana passada no i

 

No final da década de 80 as pessoas deixaram de se interessar por política. Entre a novela e o telejornal, a novela, claro. As novelas e os políticos proliferaram - passaram a ser exigidos poucos requisitos. Desde então que a qualidade dos dois foi substituída pela quantidade. E de forma galopante.
Quando descobrimos, há 20 anos, que a nossa participação política não fazia qualquer diferença nas nossas vidas, que a Europa, directa ou indirectamente, nos haveria de garantir todos os dias pão, habitação e trabalho, deixámos de querer saber. Borrifamos para o assunto. Encaixotámos no sótão, juntamente com as calças à boca de sino, os grandes desígnios democráticos, constitucionais, liberdades e essas coisas que não puxam carroça.
Durante duas décadas a participação política de 99 por cento dos portugueses resumiu-se ao princípio de que "Eles são todos iguais!"
Até que chegámos aqui. E agora é novamente a política que determina o preço do leite, o nosso emprego, a pensão e a possibilidade de as escolas terem ou não almoço para dar aos nossos filhos. Não indirectamente, mas directamente, depende dos políticos - dessa classe irrelevante - a subsistência, o desenvolvimento, a educação, o futuro de cada família. Ui...
E agora? Ah, pois é: há pouco a fazer. Resta-nos ir explicando aos nossos filhos o bê-á-bá da democracia, da consciência cívica e dessas coisas chatas. Para eles não seguirem o nosso exemplo tão pouco educativo.

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publicado às 15:15


4 comentários

De Adriana a 21.10.2010 às 16:29

Eu sou assim.....Que vergonha!!!!

De Ele a 22.10.2010 às 00:48

Deixo-lhe aqui uma leitura perturbadora

Um cheirinho:

"New mental illnesses identified by the DSM-IV include arrogance, narcissism, above-average creativity, cynicism, and antisocial behavior. In the past, these were called “personality traits,” but now they’re diseases. (...) A Washington Post article observed that, if Mozart were born today, he would be diagnosed with ADD and “medicated into barren normality."

atentar particularmente em "above-average creativity", se isto pega por cá teremos os nossos filhos e netos a Ritalin, deprimidos e suicidas, muito em breve...



http://uswgo.com/confirmed-psychiatric-manual-dsm-iv-tr-labels-free-thinkers-non-conformers-as-mentally-ill.htm


e ainda


http://offthegridnews.com/2010/10/08/is-free-thinking-a-mental-illness/

De CArla Ma a 22.10.2010 às 10:34

Acha mesmo que há pouco a fazer? Ou isso era ironia? É que não se percebe.

De Inês Teotónio Pereira a 22.10.2010 às 11:21

É pena, mas não é ironia. Já estamos falidos, com a educação num trapo, com os pobres cada vez mais pobres, com uma classe política incapaz de gerir uma taberna, quanto mais um país. O que há a fazer não se faz de uma geração para a outra. Mas o melhor é começar já. Já nem digo pelos nossos filhos, mas pelos filhos deles.

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
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