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Inocente sou eu

por Inês Teotónio Pereira, em 15.05.09

A minha filha anda pela casa toda aos gritos a dizer que quer matar pessoas. É assustador. Arma-se com dois lápis enormes e corre por todo o lado a dizer que me mata e depois vai matar os irmãos. Ninguém lhe liga. Mas ela ri-se com uma gargalhada imprópria para quem tem três anos e continua matança virtual.

 

Ela já fez isto pelo menos duas vezes e eu ignorei sempre, até que noutro dia pensei: “espera aí: a criança diverte-se a imaginar que mata a família toda e nem sequer viu a reportagem sobre o bairro da Bela Vista, onde é que eu errei?”. Em lado nenhum, concluí. É que as crianças são mesmo assim: ela não me quer matar por mal, está só a brincar aos bons e aos maus. E, convenhamos, esta encenação ao pé da mirabolante história do lobo mau que queria mesmo engolir os porquinhos, é uma brincadeira de crianças.  

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publicado às 10:16


5 comentários

De mimi a 15.05.2009 às 16:47

Fartei-me de rir...e isto porque : o meu miúdo, que vai fazer 3, tem precisamente as mesmas tendências psicopatas , mas bem mais associadas à culinária, pois que ao invés de utilizar os lápis, utiliza a colher de pau e diz que é um monstro e vai para a sala lutar com uma almofada...Se deveremos agonizar e procurar ajuda??? Talvez, mas não para eles...talvez para quem não tem tanta imaginação e os ache desde já uns descontrolados. E ainda acrescento : E as cenas do Bugs a fugir do Y. Sam com uma enorme espingarda que mais segundo menos 2º lhe explode a cabeça???
Muita imaginação diria eu...mas eu ...sou só uma mãe!!!

De Pai desactualizado a 16.05.2009 às 19:34

Não sei como vim parar a este sítio? Mas já que estou aqui gostaria de marcar presença, sabendo que não vai fazer qualquer diferença nos dias de hoje. E como os debates na Tv...fica tudo na mesma...
Analisando as apreciações dos papás acerca dos seus filhotes que aceitam tudo com a maior das naturalidades e até com benevolência. Pensando como pai de dois filhos na ordem dos 30 anos cada, porque não tive esta experiência? Será porque não foram influenciados (contaminados) pelos videojogos? Pela BD de hoje onde é evidenciada a violência, monstros, bruxaria e pornografia de uma forma disfarçada para os adultos mas aceitável, isto é tendo como alvo as crianças de hoje? Será que estamos a perder a capacidade de fazer uma análise ao que no rodeia? E achamos que tudo é Bom e Válido? Que estamos fazendo para proteger a alma e o “coração” das nossas crianças?

De mimi a 18.05.2009 às 12:02

Bom dia
Aceito o seu comentário , mas concedo-me a chance de recomentar " .
Eu própria ando na casa dos 30 e tais, fui uma criança feliz, não tive vídeo jogos, não percebi qualquer tipo de bruxarias nem tão pouco pornografia, e lembro-me perfeitamente de "matar" monstros pela casa, e de até fazer caçadas mirabolantes, junto de meu irmão, em busca deles, para os dizimar da face da terra...( esses monstros podiam ser o pai , a mãe, os pacotes de leite, as bonecas...o que estivesse á mão e com cara de).
O meu filho ainda não tem 3 anos, não joga computador obviamente , adora o Bugs Bunny ( do meu tempo e do dos seus filhos) , e tal como o referi no meu comentário , até o inocente Bugs , tem atrás de si um caçador alterado que a cada 2º dispara a sua espingarda, chamado-o de " idiota" , e fazendo explodir tudo á sua volta...
Agora...não devemos deixar as nossas crianças, perceberem a diferença entre os Bons e os Monstros?
Deveremos impedi-los de usar uma das maiores ferramentas de crescimento ,a imaginação?
Desculpe-me pela exactidão que utilizo, mas, nem sou de aceitar coisas só, com benevolência, nem sou capaz de não achar natural, que uma criança queira colocar-se no lugar do " Bom" a fim de sentir-se o herói...pois todas as crianças o querem ser...e se formos analisar bem...até os adultos o querem!!!

De Marinho a 17.05.2009 às 03:22

Até que enfim! Farto de passear pela rede e ainda não tinha encontrado a verdadeira lucidez parental. Até nem é difícil entendê-los, aos minis, a 1 metro do chão. O difícil é desapercebermo-nos da nossa altivez, evoluirmos de novo à infância, parar de julgar e entender.
Brilhante! Continue, os pais crescidos agradecem.
P.S.: Não quer substituir o cota marado do Albino Almeida?

De Anónimo a 01.06.2009 às 11:30

Que galhofa!!!!!!!!!!!!!!
Estou mesmo a imaginar a piquena!!!

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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