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Há duas maneiras de agir contra a propagação da SIDA em África: distribuir preservativos e fazer o que a Igreja Católica faz.

A primeira é fácil mas ineficaz: distribuir preservativos é o mesmo que tratar com água uma gangrena ou tentar curar um cancro com aspirinas. Os resultados estão à vista e não são precisos mais argumentos. Combater a SIDA em África à custa dos preservativos, é como disputar com uma bisnaga um duelo de pistolas: é estúpido.

A Igreja Católica sabe disto melhor que ninguém: é a única instituição que verdadeiramente sabe do que fala porque trabalha no terreno, conhece os casos, as pessoas, as aldeias, as cidades, a miséria, os costumes e as crenças. Trabalha com todos, não só com os católicos, e em todos os países, que são quase todos anti-católicos. E trabalha no terreno há década e décadas: antes do Bairro Alto lisboeta ter nascido, já a Igreja tinha percebido a dimensão da tragédia.

Enquanto a Igreja trabalha no terreno, o pessoal do mundo civilizado tem insultado a Igreja Católica porque o Papa - este, o anterior, o anterior ao anterior e todos os outros - não mandaram distribuir preservativos como quem distribuí leite num campo de refugiados. E não o acusaram, por exemplo, de ser ineficaz no combate, nada disso: acusaram a Igreja de ser cúmplice. E porquê? Porque a Igreja, optou, imagine-se, por estar com as pessoas, viver com elas, dar-lhes formação sobre a sexualidade, apoia-las antes, durante e depois da doença e tratar cada caso como um caso. Uma trabalheira. E considerou sempre que o preservativo, no meio desta trabalheira, é apenas um recurso, não é uma doutrina. (...)

 

No Aparelho de Estado

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publicado às 15:19


2 comentários

De Z a 24.11.2010 às 13:13

Inês, comento aqui o seu post para não me juntar à selvajaria que corre no Aparelho de Estado.

Muito obrigado pela seu post. É de um coragem e de uma simplicidade avassaladoras. De tal maneira que a única maneira que tem de o criticar é o insulto.

Tenho-me vindo a tormar cada vez mais um fã seu.

De Maria a 27.11.2010 às 18:56

Olá Inês, desde já quero dar-lhe os parabéns pelo fantástico blog. Tenho passado por aqui várias vezes e gosto bastante.
Sou uma jovem católica de 17anos e como tal não podia deixar de comentar este post, acho que teve de facto muita coragem em escreve-lo. Por curiosidade fui ver os seus comentários no Aparelho de Estado, pois bem sei que este tipo de assuntos leva sempre a comentários menos simpáticos. Quando digo isto não digo no sentido de não concordarem com o que foi dito, mas sim a forma como o fazem, essa sim é maldosa.
Venho por isso dar-lhe os parabéns pelo fantástico post e que nunca perca a fé.

Uma boa tarde, Maria

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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