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casamentos e tormentos

por Inês Teotónio Pereira, em 15.02.11

O casamento é uma das grandes interrogações do mundo infantil. O seu conceito - o original - dá azo a uma imensidão de perguntas que se vão formando nas cabeças das crianças e que nos causam enormes dores de cabeça. Porque é que as pessoas se casam? É obrigatório casar? Precisamos de casar para ter filhos? Temos de nos separar ou podemos ficar casados a vida toda? Quantas vezes é que podemos casar? Casar é viver na mesma casa ou é mais alguma coisinha? Com que idade tenho de casar? Tenho de dormir na mesma cama que a minha mulher? Posso casar com a minha mãe? Porque não? Afinal o que é casar? 
Piores que estas perguntas só as perguntas sobre morte. Todos os pais ficam mais ou menos engasgados quando o tema é casar, estejam eles casados ou não. Se estão casados, a pergunta que paira no espírito das criancinhas é "quando é que eles se irão separar?"; se não estão casados, os filhos questionam-se "porque é que eles não estão casados?". Nunca estão sossegados com o estado civil dos progenitores. 
E a culpa de todas estas interrogações é do príncipe e da princesa e do irritante "viveram felizes para sempre". As crianças crescem com a mente deturpada pelos filmes e pelos contos infantis, com informação propagandística em prol da felicidade, da fidelidade e do amor arrebatador, e acham que os pais não passam de uns desenhos animados. Não está certo, é uma injustiça: ninguém consegue concorrer com o casamento da Pequena Sereia ou da Bela Adormecida. Alguém imagina uma discussão doméstica entre os príncipes sobre a tampa da retrete ou sobre telenovela vs. futebol? Pois não. O casamento, na cabeça das crianças, está como as casas: sobrevalorizado.

 

(mais outra crónica do i, mas esta está muita gira)

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publicado às 21:35


1 comentário

De jonasnuts a 15.02.2011 às 23:06

Pensei que teria o mesmo problema, mas não. Aparentemente as mães solteiras, que não contam histórias de princesas aos filhos (ou contam mas as princesas são sempre mulheres emancipadas, que casam ou namoram com o príncipe porque querem, e sem dar garantias de felizes para sempre, porque isso logo se vê mais tarde), não têm esse problema :)

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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