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Professores

por Inês Teotónio Pereira, em 28.02.11

(crónica deste fim-de-semana, i)

 

Além dos polícias, só há uma classe profissional que me intimida: a dos professores. Os professores, na minha escala de valores intimidatórios, são seres superiores. Até podem não ser, mas para mim são.
Sofro da síndrome de Peter Pan em relação aos professores: não cresço. Por mais que queira olhar para eles de igual para igual, como se não houvesse barreiras entre nós, como se fôssemos todos do mesmo calibre intelectual, não consigo. Tento, mas não consigo.
E é uma incapacidade que vem de trás. Desde os meus seis anos que um professor, na minha análise emocional, é alguém que mistura autoridade com sabedoria e ainda por cima partilha essa sabedoria. Não interessa se tem jeito para o fazer, o que interessa é que o faz todos os dias. Nem os padres são tão altruístas.
Por mais que eu cresça ou envelheça, por mais que a vida me vá marcando ou me queira amadurecer, a minha ideia dos professores não muda: um professor é um ser superior. É assim. Se aos polícias reconheço autoridade, aos professores reconheço autoridade e superioridade.
Ora esta minha ideia feita faz com que eu não os questione: entre os meus filhos e os professores ganham sempre os professores, quer eles tenham razão quer não. No outro dia entrei numa sala de aula onde estavam 20 professores reunidos. Enganei-me na sala... Deve ter sido o momento mais constrangedor de toda a minha existência (só 48 horas depois é que deixei de ficar corada). Será que os alunos também olham para os professores assim, ou o defeito é só meu?

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publicado às 12:36


2 comentários

De meninaluaprimavera a 03.03.2011 às 22:30

quem me dera que todos os meus alunos (e pais também) me vissem por esse prisma!
um bj

De Raquel a 15.03.2011 às 22:09

Há já muito tempo que não lia palavras como estas!
Sou professora e vão-se acumulando as vezes que penso desistir... por não me reconhecerem não só a autoridade - de poder ajudar os meus alunos a crescer - mas também o valor do empenho e esforço imenso de o fazer...
Muito obrigada por reconhecer em professores a capacidade sobre-humana de ultrapassar as dificuldades e as "amarguras" que uma tarefa desta natureza implicam... muitas vezes abdicando da nossa estabilidade familiar e financeira para o fazer...

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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