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famílias numerosas

por Inês Teotónio Pereira, em 09.05.11

no i da semana passada

 

Não devia ter de existir este conceito: uma família é uma família quer seja numerosa quer não. Na minha modestíssima mas maturada opinião, não deviam existir derivações da família no que diz respeito ao número de filhos, de avós, de tios, de sogros. Qualquer casal com três ou mais filhos é hoje visto como uma espécie atracção de circo, como se tivessem três olhos e cinco pernas, como seres estranhos. Hoje ter filhos não é normal, é excepcional.
Portugal é o segundo país da OCDE com a taxa de fertilidade mais baixa: 1,32 filhos por mulher. Tendo em conta que são 31 os países que integram a OCDE, estamos mal. Diz que é a crise, que somos pobres e não há condições para criar crianças. Diz que dantes é que era, no tempo em que existiam empregadas e as mulheres ficavam em casa em vez de irem trabalhar fora. Agora, agora a vida está mais difícil, os jovens casais não têm condições, coitados. Trabalham e trabalham, conseguem lá ter filhos. Só que o mesmo estudo diz ainda que o número de filhos diminui nas famílias com maiores rendimentos: quanto mais as mães ganham menos filhos têm.
Na minha opinião, mais uma vez modesta mas maturada, as pessoas não têm filhos porque têm medo de não ter tempo ou de não ter condições para dar aos pequeninos o que eles merecem. Ou seja, tudo. E por isso o melhor é eles nem nascerem - um, dois, num momento de loucura, ainda vá. O principezinho não tem irmãos, mas tem a X-Box. Quanto ao resto, os finlandeses que me paguem a reforma, que eu vou para ali passar os feriados ao Algarve e já venho.

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publicado às 10:07


11 comentários

De Luisa a 09.05.2011 às 10:25

E que tal não ignorar que as mulheres vão adiando a maternidade até conseguirem ter uma vida profissional estável e que são bastantes as que quando decidem ter filhos descobrem que sofrem de infertilidade? Para quem foi fácil ter 3 filhos, é fácil fazer este tipo de comentários que ignoram uma parte do problema e acha que quem não tem filhos ou tem poucos, é apenas por egoísmo. Há cada vez mais gente que gostava de ter um filho ou ter mais que um filho, mas que simplesmente não consegue. Nunca esperei ler um comentário como este vindo da sua parte.

De Inês Teotónio Pereira a 09.05.2011 às 13:08

é óbvio que não me estou a referir às pessoas que não podem ter filhos ou mais de um filho, ou vinte filhos, seja lá porque razão for. E também não faço julgamentos morais de ninguém, que as pessoas são ou não são egositas por terem ou não terem filhos. Era só o que faltava! Refiro-me apenas ao facto de hoje em dia as pessoas complicarem demais a maternidade, de terem medo. De acharem que os filhos não são felizes se não tiverem tudo, ou muito, ou aquilo que merecem, ou que não lhes falte nada. E por isso acanham-se, perferem jogar pelo seguro. Era isso que queria dzier, longe de mim fazer julgamentos morais de quem quer que seja!

De Mónica a 09.05.2011 às 12:26

Não adiei assim tanto a maternidade e estive grávida 5 vezes. só tenho um filho. porque tive o azar de perder quatro ... ou a sorte da primeira gravidez ter tido tanto de bom, como as seguintes de mau. O meu filho não tem nem irmãos, nem x-box (nem sei o que é, que vergonha) nem é príncipe, mas às vezes também é um bocadinho atracção de circo, quando lhe perguntam “quando vem a mana” e ele responde que não virá, porque a mãe não pode ter mais filhos. E aos olhares embaraçados que se seguem, eu respondo-me sempre: uma família é uma família.

PS: lembras-te de uma mónica que (muito provavelmente) foi tua colega no 1º ano da faculdade? Sou eu :)

De Inês Teotónio Pereira a 09.05.2011 às 13:12

Mónica, lembro-me perfeitamente! Temos de nos encontrar! Espero que também tu não tenhas interpretado mal o meu comentário... Se sim, vou ali cortar os os pulsos e já venho:...

De IB a 09.05.2011 às 15:27

Concordo absolutamente com tudo o que dizes Inês. Tudinho. É que acho que agora toda a gente acha que há mínimos olímpicos que qualquer filho deve ter e que isso é que é importante. E, ainda, que a altura tem de ser perfeita... não pode ser demasiado Inverno ou demasiado Verão, temos que ter emprego estável, família que ajude, que os irmãos ou o irmão já seja suficientemente crescido para poder ter gozado da atenção que merece.

De pilar a 09.05.2011 às 17:02

fui mãe cedo, tenho dois filhos que tenho de criar sozinha porque sou mãe solteira há anos. se soubesse que ia ser assim, não teria sido mãe.

acho que parte do problema da baixa natalidade é a alta taxa de divórcios [60,8 segundo o Pordata e já são dados de 2008].

conheço muitos filhos únicos [que é um bocadinho triste, também acho] mas muitos mais filhos de pais divorciados.

De Ana Raquel Oliveira a 09.05.2011 às 17:05

É aqui que se assina por baixo? Também conheço quem não tenha filhos, mas tenha cão e gato, o último pc, o telemóvel da moda e o carro xpto...

De S a 09.05.2011 às 22:27

A ter de existir uma designação específica, eu aceitaria "famílias generosas". Porque é isso que somos: mães e pais generosos, que sabem que o amor se multiplica de forma directamente proporcional relativamente ao número de filhos. Porque sermos mães e pais é darmos muito de nós.
Mas existe muita falta de generosidade por esse mundo fora. E não estou a falar de bens materiais, apenas, se bem que isso funciona muitas vezes como desculpa.
Não somos só nós que damos vida aos nossos filhos. Eles também nos dão vida a nós.

De Teresa Barata a 11.05.2011 às 16:13

Gostei tanto, mas tanto deste post.
De que vale ter X-Box se não temos com quem discutir o resultado do jogo?

De Kruzes Kanhoto a 15.05.2011 às 14:53

As pessoas não tem filhos porque dão trabalho. Preferem, por isso, ter cães. Para além de derem menos chatices podem sempre abandoná-los quando eles começam a dar chatices.

De bluesmile a 16.05.2011 às 14:48

Esta conversa não tem sentido. A tendência de uma baixa natalidade em Portugal é precisamente igual à dos países da OCDE, Finlândia incluída..
http://www.montemuro.org/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=70&Itemid=2

As taxas natalidade mais elevadas no mundo são no Niger e no Mali. E não consta que os cidadãos do Niger ou do mail tenham reformas...

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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