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Sobre a frustração e os professores

por Inês Teotónio Pereira, em 10.10.11

 No jornal i

 

 

As crianças, por definição, acham que podem fazer o que querem. Eles nascem assim: se têm fome, têm de comer já, se têm sono, têm de dormir imediatamente, se querem brincar com a chave do carro que está em cima da prateleira de vidrinhos, têm de trepar a prateleira de vidrinhos. É assim que funciona a suas cabecinhas e elas não acham concebível que o mundo funcione de outra maneira. Muitas vezes, quando os pais se apercebem que em vez de filhos estão a criar monstrinhos, já é tarde de mais: eles já não aceitam um “não” como resposta, choram mais do que falam e gritam mais do que riem. 

Até que vão para a escola. E na escola inicia-se o processo de frustração e aprende-se o significado do não. Ali, os meninos têm de funcionar em grupo, têm de respeitar hierarquias e as ordens não são meros conselhos. Não, é mesmo não. As crianças aprendem a viver e a conviver com as frustrações, quer os pais queiram ou não.

Hoje, cabe também aos professores e educadores a função de explicarem a uma criança que nunca fez a cama ou levantou o prato da mesa, que tem de fazer os trabalhos de casa, tem de arrumar a cadeira, tem de pôr as tampas nas canetas e que não pode falar nas aulas. Ou seja, que não querer fazer, não é o mesmo que não fazer.   

Um dos meus filho revelou-me recentemente que gosta da escola mas acha “que os professores tornam a escola uma seca”, (que é a mesma coisa que dizer que gosta de omeletas, mas que gostava mais se elas não tivessem ovos). Ou seja, para ele a vida devia ser uma festa contínua, aulas incluindo, e os professores são um obstáculo à rambóia, são uma espécie de “horas para chegar a casa”. Conclusão: está tudo bem na escola. O processo de desenvolvimento da minha criança está saudavelmente em curso. Com a preciosa ajuda dos professores dele, que me ajudam todos os dias a educá-lo. Ou seja, ele está saudavelmente frustrado.  

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publicado às 13:42


1 comentário

De Manuela Barroso a 10.10.2011 às 15:24

(...) "saudavelmente frustado"...o meu filho também!!!

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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