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Crescimento e competitividade

por Inês Teotónio Pereira, em 24.11.11

No jornal i


Os irmãos vivem entre dois processos: o da concorrência e o da lealdade. São concorrentes em tudo aquilo que toca ao futebol, aos desenhos, às corridas, aos amigos, aos presentes de Natal ou aos mimos das avós. E são leais quando se trata de cerrar fileiras contra qualquer força exterior, como por exemplo, os pais. Aí são leais uns aos outros, como se uma tropa de elite se tratasse, e não olham a meios para se defenderem uns outros. Mais injusta é a vida ou os comportamentos dos pais, mais leais são os irmãos uns com os outros. Eles conspiram, lutam, enfrentam, defendem-se, escondem-se e encobrem-se instintivamente e sempre que lhes cheira a injustiça. Nascem assim, os irmãos. Ainda não sabem falar e já sabem ser irmãos.

Eles só concorrem nas coisas que não são importantes. Em tudo o resto assinam pactos de sangue silenciosos e normalmente contra o poder: os pais.

Ora, este equilíbrio funciona na perfeição quando os pais deixam que as forças da natureza humana fluam com naturalidade; deixam que a natureza siga o seu curso. O pior é que quando nos atrevemos a armar em pseudo-justiceiros e vamos a terreno interferir na relação entre os nossos filhos. E provocamos o efeito que uma fábrica de produtos tóxicos provoca numa ribeira: estraga.

 É que os irmãos, ao contrário dos pais, acham natural que um seja melhor do que o outro no desporto ou na escola. E vivem bem com isso. Não concorrem, porque não é importante. Eles só reparam qual é o melhor e o pior quando os pais tentam compensar o aselha da bola com mimos, ou aquele que tem piores notas com mais atenção. Ai sim, eles afinam. E afinam entre eles. Justiça, é capital dos filhos; os pais que se fiquem pelo poder executivo. Em nome da estabilidade.   

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publicado às 23:56



A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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