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Mais uma vez a liberdade

por Inês Teotónio Pereira, em 25.11.11

Hoje no i 

 

 

Os portugueses têm um enorme problema com a liberdade: adoram o conceito mas gostam pouco de o exercer. A malta gosta de liberdade desde que não dê muito trabalho. E fazer escolhas, antes de mais, dá um trabalhão. Bom, bom é ter tudo escolhidinho e pronto a levar: “Olhe, desculpe, pode embrulhar uma liberdade se faz favor, escolha o senhor que eu ainda vou ali aos frescos”. Liberdade de escolherem por nós: é essa a liberdade à portuguesa.

O banco é que sabe se a minha casa vale x ou y; o ministério da educação é que sabe qual deve ser a escola do meu filho; o piquete de greve (uma aberração) é que sabe se devo fazer greve ou não. Eu obedeço e cumpro. Sempre em liberdade, claro. Desde que não me chateiem, que o Benfica vá ganhando e que ainda tenha minis do frigorífico, vivo bem com estes intermediários à minha liberdade.

Ora, a liberdade dos nossos filhos anda pelas mesmas ruas da amargura. A malta gosta imenso de falar de autonomia, de emancipação das nossas crianças, de como os pais de antigamente eram castradores e de como actualmente os pais são tão porreiros, mas é só conversa. Na prática, nós os pais, somos um obstáculo à liberdade dos nossos filhos e estamos ao nível da KGB: nós é que sabemos o que é melhor para os nossos meninos e exercemos o poder nesse sentido. Afinal quem é que enche o frigorífico e paga a box? Pois, pois, o menino é muito criativo mas não é o melhor a Matemática, por isso, há que impor regras, disciplina e metas. Também não os podemos largar na rua, porque é perigoso e ele não tem “maturidade”. Ou seja, a liberdade dele é minha.

 É uma espécie de socialismo familiar: os pais estão em todo o lado e dizem que é para o “melhor de todos”. Tretas: estão em todo lado porque têm medo de perder o controlo dos filhos, assim como os governos socialistas têm medo de perder o poder no país. Em nome do bem comum, claro.  Mas liberdade é, antes de tudo, confiar. E confiar... bom... É uma coisa séria. Não vale a pena arriscar.

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publicado às 16:49


2 comentários

De complicadinha a 10.12.2011 às 18:21

Livres como um rebanho é o que somos... e que ovelha se atreve a tresmalhar-se contra um sistema que lhe penhora os bens mais essenciais fruto do seu trabalho já colectado por tabela?! Liberdade... desconheço.

De Pedro Pestana Bastos a 12.12.2011 às 16:39

Nem mais

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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