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Ciúmes

por Inês Teotónio Pereira, em 07.03.12

Ciúmes

 

No i desta semana

 

 

Não há sentimento mais sincero do que este. Mais grandioso e nobre. Os ciúmes são um sentimento bom em forma de defeito.  É gostar bem de mais e gostar demais. Sem cerimónia, preconceito ou edição. É gostar em bruto e não tentar sequer disfarçar. É gostar tanto, tanto que o gostar transborda e inunda a parte dos nosso cérebro que comanda os maus sentimentos, como a inveja, a obsessão e outros irritantemente autodestrutivos.

O ciúme é uma coisa híbrida e avassaladora que nos incomoda e nos entristece. É quase o contrário de amar, sendo amar em demasia. Mas é bom porque é por uma boa causa: é sempre por causa de nós ou por causa de alguém que amamos.

Ser motivo de ciúme de alguém é por tudo isto a melhor coisa do mundo, é o maior elogio que se pode ter. Na verdade é a maior prova de amor que alguém pode dar ou ter.  

Por isso é que eu não me importo nem um bocadinho quando os meus filhos quase que se matam uns aos outros por um lugar no sofá ao pé de mim. Imaginem: por causa de uma porcaria de um lugar no sofá; eles lutam para estarem dez minutos da vida deles enroscados no meu braço. E eu não fiz nada por isso. Eles amuam, choram mesmo, se eu brinco mais com um do que com outro, se eu dediquei mais dez segundos a fazer cócegas a um do que a outro, se eu sorri uma ou duas vezes (porque eles contam cada sorriso). Ou seja, se eu não estou em exclusividade para cada um deles, eles lutam. Para cada um dos meus filhos eu sou mãe de filhos únicos, sou fiel apenas a um, tenho quantos filhos tiver. E numa relação de exclusividade não se admitem infidelidades. No fundo eu devo ser mãe de um filho só, ou sou uma mãe do tipo galdéria.

Os meus filhos são tipo filhos mosqueteiro, lutam por honra: eles lutam por aquilo que mais gostam: por mim. Haverá  guerra mais nobre do que esta?

 

 

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publicado às 10:29


4 comentários

De Sandra Pereira Nielsen a 09.03.2012 às 23:33

Que giro ainda hoje senti isso mesmo.
A minha filhinha de 2 anos teve ciúmes, quando eu ao cumprimentar uma amiguinha dela, que não via já há muito tempo, a abracei. Quando o fiz, senti uns bracinhos pequeninos a agarrarem-se a mim pela cintura,
era a minha filhinha a reclamar o seu direito de filha, e a deixar ali bem claro que "este" território é dela : )
um beijinho.

De Joana Barros a 15.03.2012 às 15:36

É um privilégio ter filhos q podem e conseguem lutar entre eles pela nossa atenção, tal como nós lutavávamos pela atenção dos nossos pais. Mas maior privilégio ainda é ter uma filha com 7 anos que, sendo a do meio e entre dois irmãos com umas doenças \"esquisitas\", tem a capacidade de ceder o seu tempo de mãe aos irmãos, sem nunca fazer casa feia ou refilar... Isso sim é uma Honra e um Orgulho sem medida!

De Inês Teotónio Pereira a 16.03.2012 às 12:27

obrigada pelo seu comentário extraordinário

De susana filipa carrão gomes a 14.04.2013 às 21:53

olá este programa e muito lindo.

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

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Inês Teotónio Pereira
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