Domingo, 29 de Abril de 2012

 

"Se olharmos para uma coluna de formigas no seu perpétuo vaivém, repararermos por certo que há sempre umas quantas que se deixam ficar para trás ou que se enganam no caminho. A coluna não tem tempo para elas; e prossegue a sua marcha. Por vezes, as formigas que ficam para trás acabam por morrer. Mas mesmo isso não causa grande perturbação na coluna. Há um ligeiro e breve tumulto à volta do cadáver, que acaba por ser levado pelas outras - e que leve que é esse cadáver, pensamos nós. E a grande azáfama prossegue sem qualquer quebra. As formigas, viajando em sentidos contrários, para e a partir do ninho, mantêm inalterável essa óbvia socialibilidade, esse persistente ritual de encontro e saudação."  

 

V.S  Naipaul, em "A Curva do Rio"    



Inês Teotónio Pereira às 02:00 | link | concordo plenamente

em parte :
De Rui Capucho a 30 de Abril de 2012 às 10:26
Benvinda de volta. Já tínhamos saudades!


enfim...

A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.
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Inês Teotónio Pereira
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