"Se olharmos para uma coluna de formigas no seu perpétuo vaivém, repararermos por certo que há sempre umas quantas que se deixam ficar para trás ou que se enganam no caminho. A coluna não tem tempo para elas; e prossegue a sua marcha. Por vezes, as formigas que ficam para trás acabam por morrer. Mas mesmo isso não causa grande perturbação na coluna. Há um ligeiro e breve tumulto à volta do cadáver, que acaba por ser levado pelas outras - e que leve que é esse cadáver, pensamos nós. E a grande azáfama prossegue sem qualquer quebra. As formigas, viajando em sentidos contrários, para e a partir do ninho, mantêm inalterável essa óbvia socialibilidade, esse persistente ritual de encontro e saudação."
V.S Naipaul, em "A Curva do Rio"