Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Quem tem a televisão apenas com os canais generalistas está tramado. Com as excepções das conversas em família de Marcelo Rebelo de Sousa (que hipnotiza qualquer criança com mais de seis meses) e de alguns jogos de futebol, a televisão está cheia de sexo, violência, violência e sexo.

E esta constatação não está incluída no pacote das observações tipo "pois, pois, lá estão os puros a dizer mal da televisão: se não querem ver desliguem e vão ler a Bíblia". Aliás, não está incluída em pacote de observações nenhumas, é apenas uma constatação laica que não merece rótulos.

A televisão generalista não tem de transmitir a missa aos domingos; tem apenas de ser programada com algum pudor. Os canais por cabo, esses, é que não têm de o ser. 

Esta semana foi uma dessas semanas que provam esta teoria sem excepção: entre a história de terror da menina russa e o relato pornográfico da professora de história, quem não tem Panda em casa, não conseguiu ver televisão com os filhos. Ou conseguiu, mas não se safou de responder a perguntas pertinentes sobre sexo, prostituição, orgias, alcoolismo, droga anda so on.

Salvou-nos Lopes da Mota e a brincadeira dos números do desemprego.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:24


6 comentários

De Rita Rabiga a 21.05.2009 às 14:54

De facto...
Tenho uma filha com um ano que ainda não faz perguntas sobre coisa nenhuma mas já dei por mim a pensar como é que eu lhe conseguiria explicar que há tantas professoras doidas como em qualquer outra profissão e porque é que aquela menina vai ser retirada de casa dos pais para ir viver com uma mãe que não conhece, num país estranho, onde falam uma língua que ela não entende...
Até eu fico incomodada e sinto necessidade de mudar de canal, imagino a confusão que irá na cabeça das crianças que vêm isto.

De Pedro Leitão a 22.05.2009 às 01:52

Não percebo o porquê destes comentários.

Querem tapar os olhos dos putos para o que se passa no mundo, para quando tiverem 8 ou 10 ou 12 anos apanharem com os morangos com açúcar (isso sim uma abominação indesculpável) na tromba?

Se não gostam do que dá na TV não deixem as crianças ver TV: tão simples quanto isso. É que criticam sem dar alternativas: a história da professora era uma notícia. Não era sexo gratuito porque sim em horário nobre (aliás, nem sequer sexo gratuito era, era uma conversa que, para uma criança pequena, nem dava grande coisa a entender )

Por isso não percebo para quê tanta lamúria: se as crianças não estão preparadas, não vejam TV. Ponham-nas a fazer qualquer outra coisa mais produtiva (sim, que a TV não é algo particularmente bom em qualquer idade que seja).

De Inês Teotónio Pereira a 22.05.2009 às 11:07

A questão está em poder ver o telejornal sem ter de se expulsar as crianças da sala. As notícias podem e devem ser todas transmitidas; mas as notícias e não o espectáculo das notícias. ´
As crianças não têm de estar preparadas para ver televisão (e muito menos o telejornal), porque não é preciso preparação especial para receber entretenimento, cultura e informação.
Note-se: estamos a falar da televisão generalista - sendo que dois desses canais são públicos, prestam serviço público. Repito: serviço público.

De Pedro Leitão a 22.05.2009 às 13:08

E quem disse que um telejornal é suposto ser entretenimento? Ou próprio para crianças?

Um telejornal é suposto mostrar o que aconteceu de relevante. Se houve um acto violento de relevância, ou outro caso não próprio para crianças de relevância acho muito bem que passe, porque as pessoas querem e devem saber.

De Inês Teotónio Pereira a 22.05.2009 às 14:11

Ninguém. Mas deve ser possível ver o telejornal com as crianças. Aliás as crianças deviam ver o telejornal todos os dias.
O problema não está nas notícias, ou na natureza delas, está na forma como as embrulham e as despejam para o meio da minha sala. Só isso.
É possível dar a notícia da aula de história sem passar toda a gravação é possível dar a notícia da menina russa sem explorar a brutalidade da cena em que a menina é arrancada do colo do pai.
A questão é apenas uma e é muito antiga: transformar notícias em entretenimento e espectáculo não é o último grito da liberdade de expressão - é apenas mau gosto.

De Pedro Leitão a 22.05.2009 às 15:16

Não considero que o telejornal seja algo propriamente indicado para crianças, pelo menos até uma certa idade.

E o que passa no telejornal passa porque interessa ao público: as pessoas que ouviram a história da professora quiseram ver o vídeo que o acompanhou. Perfeitamente normal e esperado, e não se pode considerar sensacionalista sequer porque o vídeo foi o próprio meio com que tudo se iniciou, e é a descrição mais realista possível dos eventos da notícia.

Comentar post



A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
ver perfil

Livros da mãe






Seguir no Facebook


Pesquisar

  Pesquisar no Blog