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Um comentário em forma de post

por Inês Teotónio Pereira, em 02.10.09

Alexandre Homem Cristo queria publicar este texto no seu blog Cachimbo de Magritte, mas preferiu enviar-me por e-mail. Acho que tenho a obrigação de o publicar, (não está editado) porque é uma crítica e não um elogio.  

Obrigada, Alexandre

 

Inês Teotónio Pereira assina hoje, no jornal i, uma crónica a propósito da indumentária gótica das filhas do Primeiro-Ministro espanhol, a que intitula “Ser gótico é ser infeliz”. Nela afirma que se um filho seu adoptasse essa indumentária, e esse estilo de vida, o seguiria para todo o lado, na tentativa de o impedir que abraçasse realmente o seu lado ‘gótico’. Isto porque tal o obrigaria a ser infeliz.
 A Inês afirma que desconhecia o que era um gótico antes de ter escrito o seu texto, e reconheço-lhe a dificuldade em ter que se escrever sobre um assunto que não se domina. Mas suspeito que as suas pesquisas na internet a tenham orientado mal. Afinal de contas, o gótico é um movimento social (perdoem-me, não sou sociológico, e tenho a certeza que haverá uma melhor terminologia), que deriva do punk e que se afirmou nos anos 80 do século passado. Nasce a partir da música, para depois se consolidar como algo de social (mas sempre com o predomínio da música). Basta olhar, por exemplo, para Robert Smith, o carismático vocalista dos The Cure, para encontrar o ex-líbris da espécie.
 É evidente que a estética e até os conteúdos das letras musicais sugerem uma depressão colectivamente partilhada, mas note-se que se trata essencialmente de um recurso estilístico, que vai roubar aos chamados “poetas malditos” os temas e a sua inspiração lírica. Hoje tornou-se num movimento mais esteticamente exagerado que antes, é certo, mas é mais show-off (e uma questão de integração social) que qualquer outra coisa. Não consta que andem a chorar pelos cantos, e o mais comum é vê-los a beber cervejas entre sorrisos à porta dos bares.
 Enfim, como em qualquer pequeno grupo social alternativo, há certos riscos envolvidos, mas não julgo que ser-se infeliz seja um deles. Sei que é difícil escrever-se sobre uma realidade que se desconhece, e que quando se tratam de grupos fora do “mainstream” a qualidade de informação a que acedemos pela internet raramente está correcta. Sei-o, pessoalmente, porque os meus gostos musicais por vezes me levaram a frequentar os mesmos concertos e os mesmos bares que os “góticos” onde, para além dos inestéticos excessos no vestuário, nunca vi gente infeliz. As generalizações são perigosas, sobretudo quando se lidam com estes tipos de pequenos “submundos”.

Alexandre Homem Cristo

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publicado às 14:41



A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
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