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Jantar à mesa

por Inês Teotónio Pereira, em 27.03.14

Dizia-me um amigo americano: "Não deixes de jantar à mesa com os teus filhos. Nos EUA há cada vez mais famílias que não têm mesa de jantar porque já não se fazem refeições em família". Claro que não, respondi eu: quando os meus filhos crescerem mais um bocadinho e conseguirem completar uma refeição sem deixarem cair metade do arroz para o chão, jantaremos todos juntos. A mesa já a tinha, mas só era usada em jantares com adultos. A criançada alimenta-se na cozinha onde é fácil limpar o chão. O hábito instalou-se. Jantar com as crianças, pôr a mesa, levantar a mesa, esperar que os mais pequenos acabem, servir todos, descascar a fruta de todos, obrigá-los a mastigar de boca fechada, ao mesmo tempo que se tenta jantar, era um projecto a adiar. Ao jantar, quero sossego. E sossego quer dizer despachar as crianças e depois sossegar.

Até que esta semana rendemo-nos. A partir desta semana começámos a jantar todos juntos na mesa de jantar. A frase do amigo americano andava a perseguir-me e a verdade é eles já não deixam cair arroz para o chão com muita frequência. 

Eles adoraram a ideia. Têm dias para pôr e para levantar os pratos, esforçam-se para não transformar a mesa num campo de batalha e em três dias ganharam o hábito. Repetem, comem salada e já perceberam que pegar numa colher de sopa não é a mesma coisa que pegar num ancinho.

Jantar à mesa obriga-nos a estar com os nossos filhos pelo menos durante o tempo que demora uma refeição. Temos mesmo de conversar com eles, de os ouvir, de brincar, de pôr o telemóvel de lado e de desligar a televisão enquanto comemos. Comer é, na realidade, um pretexto para tudo isto. Mas eu percebo as famílias americanas: não tiveram um amigo americano que lhes revelasse as tendências. 

 

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publicado às 12:11


3 comentários

De Joana Cardoso a 28.03.2014 às 16:23

Pois é, a sala de jantar faz milagres: jantar numa mesa a sério, com toalha que se suja a sério, cadeiras a sério, e com os grandes ao lado a dar exemplo, ajuda muito a crescer e a aprender boas-maneiras ! Já fiz a mesma experiência e recomendo-a...

De Patricia Carvalho a 07.04.2014 às 02:29

Algumas das melhores memórias que tenho são dos jantares/ almoços com os meus pais e irmãos. Ninguém se levantava sem que tivessem todos acabados, falávamos todos uns com os outros, contávamos os nossos dias...
Quando tive filhos o habito foi mantido. Quando eram pequeninos ficavam na cadeira alta e quando cresceram começaram a participar nas tarefas de por a mesa, levantar, ajudar com o café.
Jantar em família faz bem a todos, desde o mais velho ao mais novo, todos aprendem algo durante esse tempo em que estão juntos!

De Ana Custódio a 19.04.2014 às 09:24

Mãe de 4 (9, 6, 4 e 3 anos) com o 5º a caminho ... a cozinha nem mesa tem, não caberia, por isso os almoços e jantares são sempre na sala na mesa grande, a mesa de família. Vão mais ou menos ajudando ... problema maior a corrigir : O facto de quando o mais velho pede para repetir eu ainda não consegui servir-me! Mas temos esperança de que com o tempo tudo melhore ...

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Autora

Inês Teotónio Pereira
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