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Os desenhos

por Inês Teotónio Pereira, em 24.03.14

As crianças fazem desenhos a um ritmo alucinante e quanto mais novas, mais desenhos fazem. Até que um dia percebem que aquilo que desenham não é, afinal, um espelho da realidade - as casas não são bem assim, o sol não ri nem tem tracinhos à volta, a chuva mão é azul, etc. - e param de desenhar. Até lá o ritmo criativo é frenético. Os que resistem ao choque com a realidade continuam pela vida fora e dão em artistas, em artistas de arte contemporânea. Em Picassos, Mirós, etc.

O pior é que nós pais não percebemos patavina de arte contemporânea mas fingimos que sim. Por isso, dizemos aos nossos filhos que adoramos os desenhos que eles fazem. Dizemos as coisas mais incríveis sobre desenhos indicifráveis como se percebessemos alguma coisa do assunto. Eles, coitadinhos, acreditam, ficam radiantes, oferecem-nos os desenhos e nós aceitamos entusiamadíssimos. O dia em que os nossos filhos deixam de acreditar em nós é o dia em que eles comparam uma árvore real a um gatafunho onde em tempos eles viram de facto uma árvore e nós não.

Um dos grandes dilemas dos pais é explicar a um filho que, por exemplo, isto 

 

 

não tem qualquer semelhança com uma floresta; e que estes coelhos,

 

 

 

 

 

apesar de espectaculares, também não são muito parecidos com os coelhos verdadeiros.

A verdade é que não há nada a explicar. Os desenhos dos nossos filhos são todos lindos e se eles deixam de gostar dos seus desenhos quando crescem, o problema é deles. 

 

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publicado às 15:20



A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
iteotoniopereira@gmail.com
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