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Os filhos são nossos, não são de Moscovo

por Inês Teotónio Pereira, em 06.06.14

Sou contra esta lei. Não há ponta por onde se lhe pegue e se a moda pega nem imagino até onde pode ir a criatividade. A questão é esta: uma coisa são maus tratos, negligência, abuso ou violência excessiva, outra coisa é achar que as palmadas e os castigos que os pais dão aos filhos estão dentro destas categorias. Esta lei diz que sim, que é violência e violenta as relações entre pais e filhos e a liberdade dos pais em educar os filhos com regras punitivas que não são mensuráveis. Gostava de saber se dar uma palmada no rabo de um filho que bate na irmã mais nova é violência? Se apertar o braço de uma filha e puxá-la com firmeza porque ela está a espernear e não quer ir para a cama, é violência? Se castigar um filho com 14 e fechá-lo no quarto durante duas horas porque ele mentiu, insultou a professora e não cumpriu as suas obrigações, é violência? Se dar uma palmada na mão de um filho com cinco anos que atirou com o prato da sopa para cima da mãe, é violência? Também gostava de saber se um miúdo de 16 anos pode bater na avó, no pai ou na mãe ou a Lei da Palmada também considera isso violência? 

A questão das palmadas aos filhos não divide o mundo entre os que são adeptos das palmadas e os que são contra. Claro que todas as pessoas normais (para as outras já há legislação que chegue) não defendem a palmada. Nós somos é  contra a punição dos pais que recorrem à palmada e ao castigo quando acham que devem recorrer à palmada e ao castigo - muitas vezes por fraqueza nossa, outras porque é mesmo a única solução - dentro dos limites estabelecidos pela lei. 

Mas se calhar eu não percebo nada disto e a apresentadora Xuxa descobriu a pólvora que tantos pais procuravam: "A apresentadora de televisão Xuxa, que defendeu a lei e acompanhou a votação de quarta-feira, defende que as crianças devem ser educadas sem violência: “As pessoas entenderam que não se trata de querer prender quem quer educar os filhos. É mostrar que se pode educar, se deve educar sem violência. Ninguém vai ser preso por dar uma palmada como se tem dito. Mas talvez um dia as pessoas acabem por entender que nem essa palmada é necessária, que se pode conversar”.

A sério?! Pode-se conversar? Obrigada Xuxa!  

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publicado às 12:36


3 comentários

De pipinhaeheh a 06.06.2014 às 15:44

Já agora, a Xuxa tem filhos? Parece-me que não. Acho uma piada a esta gente, uma criança tem que ter limites e por vezes uma palmada na hora certa faz milagres. Da outra vez vi um documentário sobre isso das palmadas na Suécia, e o mais incrivel é que a tradução deles de palmada é "spanking". Ou seja para eles uma palmada e espancar é a mesma coisa. E o que acontece é que muitos miúdos tornam-se autênticos ditadores simplesmente porque sabem que se podem safar com tudo. E se os miúdos apanharem uma palmada dos pais podem fazer queixa à polícia, mas se bater nos pais o que acontece? E filho meu que batesse num avô ou avó como vejo alguns a fazer, nem tinha tempo de a ver a chegar. Para tudo é preciso bom-senso, é óbvio que certas pessoas não têm, mas duvido muito que esta lei no Brasil vá ser aplicada devidamente.

De Vera Maria Figueiredo a 06.06.2014 às 16:54

ISTO é RIDICULO!!! Estamos a educar MACACOS SELVAGENS em vez de crianças porque não podem levar uma palmada!??! Um castigo?!? Esforcem-se por punir pedófilos e pais extremamente violentos e com os pais que batem nas mães e se embebedam e matam tudo à volta. Deixem-se de se preocupar com as palmadas e castigos que só servem para educar!!! Preocupem-se com coisas que realmente são sérias e importantes para a vida das crianças... mas porque será que esta gente tem de arranjar sempre mesquenhices?

De ana a 07.06.2014 às 23:09

Ai, é tão difícil falar disto: Eu acho que uma palmada no rabo, na hora da asneira, não faz mal nenhum, muito pelo contrário. Quanto aos castigos, quando são pequeninos não sei se resulta, a palmada resulta mais. Tem a ver com a hora certa.
Depois incomoda-me que o estado me venha dizer como eu, se não for uma abusadora-aí terá de intervir- devo educar os meus filhos.

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A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas. Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo. Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.

Autora

Inês Teotónio Pereira
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