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Se os meus filhos tivessem visto ontem a entrevista de Sócrates na televisão, teriam gostado. É verdade. Está claro que eu não os deixei ver o programa - já era tardíssimo - mas acredito que teriam gostado. Que teriam ficado com pena "do" Sócrates e que teriam sido convencidos de tudo o que ele disse, apesar de não perceberem patavina do ele disse. Eles à partida acreditam. Não são preconceituosos, os estupores. Acham mesmo que tudo o que se diz na televisão é verdade, verdadinha. E se a coisa for dita com convicção, então, além de ser verdade, é justa, é certa e é benéfica.
Ora, os meus filhos são um excelente barómetro para estas coisas da análise política - tal como quase todas as crianças. O que eles "acham" é o que a maioria das pessoas "acha". Eles, tal como os eleitores, não elaboram muito sobre os assuntos: ou acham ou não acham. Ponto.
Por exemplo, o Marcelo. Desde que têm dois meses - o mais tardar - que os meus filhos ficam vidrados na televisão quando o Marcelo aparece a gesticular, a brincar com o relógio e a puxar o colarinho para frente. Eles deliram com aquilo. Riem, esperneiam, falam, gritam. Enfim, é uma paródia. Eles "acham" que Marcelo é fantástico, apesar de não saberem falar e tenho dúvidas que saibam raciocinar como deve ser naquela tenra idade. Mas isso não interessa nada - dá-lhes essa impressão e isso chega e sobra. Riem-se. E pronto, eis a minha análise.
