às vezes dá jeito não ter memória. No caso em apreço não consigo esquecer que é o único Nobel da literatura da língua portuguesa e consigo libertar-me dos condicionalismos ideológicos. A Inês , que apenas conheço dos seus interessantes escritos, lá bem no fundo não deixará de ter um leve estremecimento pelo valor do intelectual português Saramago Saudações
Eu recordo as páginas mais emocionantes da Literatura portuguesa. O amor melhor descrito, o desenvolvimento intelectual de um jovem melhor contado, a dúvida e a narrativa aberta à interpretação de cada um. Isto apenas no Evangelho segundo Jesus Cristo. Dos outros livros recordo a mestria do inverosímil verdadeiro, do jogo que nos propõe e em que é fácil, muito fácil acreditar, como se o mundo pudesse ser realmente assim. Inês, posso recomendar-lhe o Ensaio sobre a cegueira? É perfeitamente apolítico. É sobre a natureza humana, aquela que é relatada por Primo Levi em Se isto é um homem.
A Um Metro do Chão o mundo está cheio de pernas e tem de se olhar para cima para ver o céu - o que faz toda a diferença. O preto é mesmo preto e o branco é branco. As coisas são todas assustadoramente concretas e ninguém aceita argumentos, só respostas.
Não é um mundo melhor, pior ou mais verdadeiro; é apenas diferente, apesar de ser o mesmo.
Este blogue é sobre isso. E sobre uma coisinha ou outra que pode não ter nada a ver.