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Os meus filhos estão a ser educados para sobreviver ao desemprego, à ausência de investimento e à falta de oportunidades num estado social morto e enterrado. Os meus filhos estão a ser preparados para viver num país que nós, pais e avós, depenámos e que lhes deixamos em herança com muito amor e muitas dívidas.
Os meus filhos estão tramados.
Eu, que cresci num país em franco crescimento subsidio/económico, onde me foi garantida paz, pão e habitação, como diria a saudosa APU, não faço ideia do que os espera.
Desconfio que por este andar, quando eles entrarem na selva do mercado de trabalho, só se salva quem souber muito sobre qualquer coisa muito útil, quem falar várias línguas e for muito trabalhador. Os outros, nem sei. Sei que a maioria dos pais não terá dinheiro para os sustentar, como os pais de hoje em dia, nem os governos para lhes dar subsídios, como os governos de hoje. Os nossos filhos vão entrar no mercado de trabalho afogados nas dívidas que o país contrai diariamente para pagar dívidas, fazer obras públicas, sustentar empresas públicas e manter o desperdício. O trabalho deles não será para gerar riqueza, mas para pagar juros. E nós diremos, com a autoridade de quem sabe o que são spreads baixinhos: "Sabes, a culpa foi da crise financeira mundial. O TGV parecia tão giro... Estuda filho, estuda!"
Não será melhor mudar o nome de Ministério da Educação para Ministério de Salvação Nacional? E, já agora, não fechar mais escolas? É que eles precisam mesmo de estudar para pagar as nossas dívidas.
